Única associação do Brasil com autorização judicial para cultivar maconha com fins medicinais avalia que liberação vai acabar com demanda reprimida de 10 anos e ajudar 55 milhões de brasileiros com doenças crônicas.

Abrace Esperança cultiva maconha para fins medicinais em estufas, em João Pessoa André Resende/G1 A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace Esperança) em João Pessoa avaliou que a liberação da Anvisa para venda de medicamentos a base de maconha em farmácias vai permitir que pelo menos 55 milhões de brasileiros com doenças crônicas possam ter acesso aos medicamentos.

A única associação do Brasil com autorização judicial para o cultivo da maconha para fins medicinal acredita que a liberação anunciada nesta terça-feira (3) vai pôr fim a uma demanda reprimida que a empresa tinha de cerca de 10 anos.

Cassiano Teixeira, diretor da Abrace Esperança, com a regulamentação do Cannabis pela Anvisa a entidade, vai poder desafogar.

"O que muda é que nós não estamos mais dando conta da procura pelo medicamento, então é muito bem-vindo que outras empresas venham a produzir para que desafogue um pouco a nossa demanda e ninguém fique sem o produto", afirmou Cassiano. A Abrace Esperança, localizada no bairro dos Ipês, na capital paraibana, atende atualmente aproximadamente 2.900 pacientes de todas as regiões do Brasil.

Do total de pacientes atendidos pela Abrace, cerca 340 recebem o medicamento gratuitamente, uma contrapartida social da instituição.

"Com esse marco regulatório, que vai permitir esse uso e produção por outras empresas, a Abrace vai continuar se adaptando à resolução com investimento em equipamentos de controle de qualidade, como sempre fez, e fica no aguardo de que a Anvisa conceda as autorizações", destacou. Ainda conforme Cassiano Teixeira, mesmo com a regulamentação da Anvisa, a associação não venderá os produtos em outras farmácias além das farmácias próprias da instituição.

Óleos feitos a partir da maconha são preservados em temperatura controlada na Abrace Esperança André Resende/G1/Arquivo "Eu acredito que a gente não vai vender nosso produtos em outras farmácias além das próprias da associação porque o objetivo da Abrace é vender para os associados, então vamos continuar vendendo o produtor para as pessoas que já estão conosco", frisou Cassiano. O diretor da associação avalia que ainda falta uma resolução específica sobre o cultivo da maconha no Brasil - que ainda não foi aprovada.

"Até agora a gente aguarda por isso, porque, com essa regulamentação do cultivo, o Brasil vai poder produzir e baratear o produto.

Enquanto isso não acontece, a gente continua dependendo da importação do produto,que custa caro", salientou. Liberação da Anvisa A regulamentação aprovada por unanimidade na Agência Nacional de Vigilância Sanitária é temporária, com validade de três anos.

A norma passa a valer 90 dias após a sua publicação no "Diário Oficial da União".

De acordo com a resolução, os produtos liberados poderão ser para uso oral e nasal, em formato de comprimidos ou líquidos, além de soluções oleosas.

A norma não trata do uso recreativo da maconha. A regulamentação impede que a cannabis seja manipulada em farmácias de manipulação.

A comercialização ocorrerá apenas em farmácias e drogarias sem manipulação, que venderão mediante prescrição médica.

A resolução da Anvisa cria uma nova classe de produto sujeito à vigilância sanitária: "produto à base de cannabis".

Ou seja, durante os três anos de validade, os produtos ainda não serão classificados como medicamentos.