Somos responsáveis por nossos atos perante Deus e os homens.

Ninguém escapará do juízo – seja divino, seja o de valor – e é importante que os políticos brasileiros tenham a total ciência disso.

O que o novo secretário especial da Cultura, Roberto Alvin, fez foi simplesmente absurdo e não cabem justificativas: plagiar um discurso de um genocida é simplesmente insano, desastroso e grave.

Ele simplesmente parafraseou uma citação de Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista, quando disse:“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.

”Agora, veja o que ele disse no vídeo divulgado pela Secretaria Especial de Cultura:“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional.

Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional (ou “páthos”) e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, afirmou Alvin no vídeo publicado nas redes sociais e que já passou de dois milhões de visualizações.

A ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, é a trilha sonora do vídeo.

Este compositor foi celebrado por Hitler e influenciou diretamente na fomentação da ideologia do ditador nazista.

Você consegue perceber o que temos aqui? Estamos diante de um ato completamente orquestrado por um cidadão que, no mínimo, é desequilibrado mentalmente.

Como alguém entra para o Governo e tem uma ideia tão bizarra como essa?Alvin foi demitido imediatamente após a grande repercussão de seu vídeo infeliz.

Em postagem nas redes sociais, afirmou que “assessores” foram os responsáveis pelo texto e pela música de fundo.

É como se ele tivesse pedido para sua equipe escrever um texto e criar uma propaganda oficial do governo que pudesse exaltar a arte nacionalista, como se tal tipo de arte fosse o modelo ideal para o Brasil.

De uma forma ou de outra, o despreparo de Alvin e de sua equipe é total.

Tenho para mim que Jair Bolsonaro não precisa de opositores políticos.

Ele já os fabrica de dentro do Palácio da Alvorada.

Quando não sãos os filhos, é um ministro que dá uma declaração polêmica desnecessária ou um secretário que faz um vídeo como este.

E tudo isso vai alimentando a grande mídia que está de prontidão para militar contra os avanços de qualquer projeto político conservador.

O Estado não deve determinar o que é e o que não é cultura.

Isso é característico de regimes totalitários, não democráticos.

Numa democracia, o Estado não controla nenhuma produção cultural; tão somente investe nos artistas e nas produções culturais e deixa a cargo do povo decidir o que consumir.

O Estado deve investir na cultura assim como deve investir nas políticas públicas que promovam mais educação aos cidadãos, para que saibam valorizar a boa arte e rejeitar produções culturais panfletárias e radicais ideologicamente.

Nesses casos, temos duas coisas a pontuar: 1) o governo Bolsonaro ainda arcará com as consequências políticas negativas em função deste fato inglório e 2) alguém teria mesmo de assumir a responsabilidade por mais uma tragédia na comunicação governamental.

Que seja o secretário Alvin com a sua demissão em caráter emergencial.

Ou então não seria nada.