Em sua estreia na ficção, Delia Owens já vendeu mais de 4 milhões de livros Delia Owens, autora de “Um lugar bem longe daqui” Divulgação Essa é uma história inspiradora, perfeita para um domingo.

A zoóloga norte-americana Delia Owens já havia publicado obras de sucesso em sua área de pesquisa, sobre os mais de 20 anos durante os quais viajou regularmente para Botsuana e Zâmbia para estudar leões, hienas e elefantes.

No entanto, nunca havia se aventurado na ficção, tanto que a editora decidiu que seu livro de estreia como romancista teria uma edição de 28 mil cópias – um número expressivo para o mercado brasileiro, mas que não impressiona para os padrões americanos.

Netos são um antídoto contra a solidão e o isolamento A força da economia da longevidade Dez filmes para celebrar a convivência entre as gerações A trama não se enquadrava num gênero específico e o título era meio esquisito: “Where the crawdads sing”, algo como “Onde os lagostins cantam” – a tradução em português é “Um lugar bem longe daqui”. Isso foi no verão de 2018.

No fim de 2019, a história da menina Kya Clark, abandonada pela família e obrigada a se virar sozinha numa região de pântanos da Carolina do Norte, já tinha vendido mais de 4 milhões e meio de exemplares e 41 países haviam comprado os direitos autorais.

Capa do livro "Where the crawdads sing" Divulgação O jornal “The New York Times”, onde o livro ainda figura na lista dos best-sellers, registrou o sucesso em reportagem que mostrava que os números da cientista ultrapassavam as vendas dos últimos lançamentos dos pesos pesados Stephen King, Margaret Atwood e John Grisham juntos. A vida reclusa de Delia Owens deu uma guinada, com uma viagem atrás da outra para encontrar os fãs que se multiplicaram, e ela declarou que nunca havia se conectado tão intensamente com as pessoas.

O enredo é universal e foge da polarização que tomou conta da política e transbordou para a cultura: a jovem Kya vive isolada, tem que lidar com uma brutal solidão e ainda é acusada de homicídio.

Além do boca a boca positivo, a obra ganhou uma fada madrinha: a atriz Reese Witherspoon a recomendou em seu clube de leitura e pretende adaptá-la para o cinema. Delia começou a trabalhar no livro há dez anos e, apesar de se tratar de ficção, se valeu da experiência, desde a infância, de se aventurar em florestas.

Sua mãe costumava encorajá-la dizendo: “go way out yonder where the crawdads sing” (algo como “vá além de onde os lagostins cantam”, ou seja, ultrapasse quaisquer limites), que acabou se tornando o título do romance.

Abraçou uma profissão que a levou para regiões selvagens, o que fez com que o isolamento fosse algo bastante presente em sua trajetória.

Foi depois de se aposentar que Delia deu vida a suas vozes internas, o que a torna uma inspiração para todos nós.

E antes que alguém diga que isso só acontece nos EUA, gostaria de dar o exemplo da portuguesa Sofia Silva.

Em 2014, ela estreou na plataforma de autopublicação Wattpad com a série “Quebrados”, onde alcançou mais de um milhão de leituras.

Hoje é uma autora festejada, mas só foi publicada em Portugal depois de estourar no Brasil.

O blog entra num breve recesso e estará de volta no dia 4 de fevereiro.

Até lá!