Temendo que o movimento iniciado em outubro perdesse força após uma intervenção violenta das forças de segurança na véspera, manifestantes voltaram às ruas nesta manhã em Bagdá e no sul do país.

Manifestantes durante protestos antigovernamentais em Kerbala, Iraque, neste domingo Abdullah Dhiaa al-Deen/Reuters Manifestantes ficaram feridos neste domingo (26) em confrontos com forças de segurança do Iraque, que dispararam munição letal em locais centrais em Bagdá e no sul do país. Temendo que o movimento iniciado em outubro perdesse força após uma intervenção violenta das forças de segurança no sábado (25), os manifestantes voltaram às ruas nesta manhã nos principais locais de protesto. Quatro manifestantes foram mortos em Bagdá e no sul, segundo balanço atualizado, durante os confrontos no sábado com as forças de segurança. Neste domingo, em Bagdá, as forças de segurança dispararam munição letal para dispersar pequenos protestos nas praças Khallani e Wathba, perto da praça Tahrir, o epicentro da contestação, segundo a polícia.

Pelo menos 17 manifestantes ficaram feridos, incluindo seis por balas.

Os manifestantes lançaram pedras na polícia de choque e alguns jogaram coquetéis molotov. Uma marcha estudantil planeja chegar à praça Tahrir à tarde a partir do campus da universidade de Bagdá. No sul, em Nassiriya, as forças de segurança também dispararam contra os manifestantes, reunidos em grande número depois que a polícia os expulsou das principais artérias que levam ao local principal de protesto, a praça Habbubi. Pelo menos 50 manifestantes foram feridos por balas e 100 receberam atendimento após inalação de gás lacrimogêneo lançado pela polícia, segundo médicos. Em Basra, no extremo sul do país, centenas de estudantes protestaram contra o desmantelamento de seu acampamento pela polícia de choque no dia anterior, segundo um correspondente da AFP. Em Kut, os estudantes montaram novas tendas para substituir as desmontadas no dia anterior. Na cidade sagrada de Najaf, os estudantes bloquearam a estrada para o aeroporto.

470 mortos desde outubro Desde 1º de outubro, o movimento inédito por ser espontâneo, dominado pelos jovens, tem sido marcado pela violência, que deixou pelo menos 470 mortos, a grande maioria deles manifestantes, segundo fontes médicas e policiais.

Depois de denunciar inicialmente a falta de empregos e serviços e a corrupção endêmica, os protestos agora exigem eleições antecipadas e um primeiro-ministro independente. Sob pressão das ruas, o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi renunciou em dezembro, mas continua administrando os assuntos correntes, uma vez que os partidos políticos não chegaram a um acordo sobre um sucessor. O impasse político foi denunciado no sábado pela representante da ONU no Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, que declarou que a atual "indecisão era indigna das esperanças dos iraquianos expressadas corajosamente há quatro meses". Desde sexta-feira, a contestação teme que a retirada do apoio de Moqtada al-Sadr deixe o campo livre para o poder reprimir o movimento. Na sexta à noite, o influente líder xiita disse no Twitter que não se envolveria mais no movimento, depois de uma manifestação em Bagdá de milhares de seus apoiadores exigindo a saída dos 5.200 soldados americanos no Iraque.

Seus partidários, que vinham apoiando os protestos até então e eram considerados os mais bem organizados, desmontaram suas tendas instaladas desde outubro em Bagdá e no sul. Manifestante recebe ajuda médica após ser atingido por bomba de gás lacrimogêneo, durante protestos antigovernamentais em Bagdá, neste domingo (26) Thaier al-Sudani/Reuters