'Projeto Psicologia Solidária' foi criado por um profissional de Montes Claros, no Norte de Minas, e já atendeu mais de 3 mil brasileiros.

G1 conversou com uma Alagoana que superou uma crise de ansiedade através do atendimento psicológico.

Profissionais e pacientes se cadastram no site do projeto Divulgação Um projeto de psicologia solidária, que nasceu no interior de Minas Gerais, está ajudando pessoas de vários Estados do Brasil a enfrentarem o momento de isolamento social durante a pandemia do coronavírus.

Os atendimentos online são oferecidos gratuitamente por mais de mil psicólogos de 11 Estados.

O projeto foi idealizado por um profissional de Montes Claros com ajuda de sete amigos da áreas de tecnologia de informação e de comunicação. “Meu objetivo sempre foi ajudar as pessoas e tive essa ideia ao perceber que muita gente estava sofrendo por conta do isolamento.

Os amigos me ajudaram na criação de um site e muitos psicólogos abraçaram a causa, e o projeto tomou uma dimensão nacional”, conta o psicólogo Wallace Sousa. As pessoas que necessitam de acompanhamento psicológico preenchem um formulário no site e são direcionadas para os profissionais, que se cadastraram como voluntários.

Mais de três mil pacientes já foram atendidos e cada sessão dura 50 minutos. “Os psicólogos recebem as informações dos pacientes e entram em contato para agendamento da consulta pelo skype ou por chamada de vídeo pelo WhatsApp.

Todo o projeto segue as regras do código de ética e uma normativa do Conselho Regional de Psicologia, que permite o atendimento online”. Projeto foi criado pelo psicológo Wallace Sousa de Montes Claros Arquivo pessoal O psicólogo Wallace Sousa explica que os pacientes que buscam ajuda relatam medo, depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.

“Alguns já estavam com sintomas de ansiedade e, com o isolamento, isso se agravou.

Existe também um medo exagerado que acaba descontrolando tudo.

É medo da doença, de perder algum familiar, do desemprego”.

Os profissionais voluntários são de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Entenda algumas das expressões mais usadas na pandemia do covid-19 Superação da ansiedade “Estava com uma crise de ansiedade forte e com muitos pensamentos negativos.

Cada dia os casos da doença aumentam e minha mente foi ficando ruim”, o relato é de uma Alagoana, de 29 anos, que está sendo atendida por um psicólogo do projeto.

Depois de vários dias sem conseguir dormir e se alimentar direito, a produtora rural, que preferiu não se identificar, percebeu que precisava de ajuda psicológica.

“Procurei uma médica da região, ela me enviou o link e me cadastrei.

Depois, o psicólogo entrou em contato comigo para a primeira consulta por chamada de vídeo.

Hoje, posso dizer que esse projeto salvou minha vida e veio no momento que mais precisei.

Melhorei a crise de ansiedade e me sinto outra pessoa”, comemora. Produtora rural mora em um sítio com a família em Alagoas Arquivo pessoal Com sentimento de gratidão, a produtora rural conta que não teria condições financeiras para pagar uma consulta, já que a única renda da família é a aposentadoria da avó.

“Eu moro com minha mãe em um sítio e a minha avó vive em uma casinha ao lado.

Nós plantamos só para o consumo em terrenos vizinhos, mas nem isso estamos fazendo porque as autoridades pediram 100% de isolamento e estamos só em casa.

Ia ser difícil pagar a consulta.

Muitas pessoas, assim como eu, também estão sem condições.

Agradeço a Deus todos os dias por esses profissionais existirem”. ‘Precisamos ser mais humanos’ A psicóloga Marta Batista de Souza é uma das voluntárias.

Do Recife (PE), tem ajudado pessoas de outros lugares do Brasil.

Ela trabalha em dois hospitais, atende em um consultório particular e também é professora universitária.

Mesmo com tantos compromissos, ainda encontra um tempinho na agenda para ajudar o próximo.

Psicóloga Marta Batista de Souza é uma das voluntárias do projeto Arquivo pessoal “Nós precisamos ser mais humanos e não podemos pensar só em dinheiro.

Muitas pessoas estão angustiadas nesse momento de confinamento, com isso aumentam a ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.

Elas precisam conversar e expressar os sentimentos, é gratificante parar pra ouvir o outro e poder ajudar”. E foi assim, parando para ouvir, que a psicóloga relembra com emoção como conseguiu salvar a vida de um homem prestes a cometer um suicídio em 2019, antes mesmo da pandemia.

Era véspera de Natal, quando o celular dela tocou por volta das 23h.

Do outro lado da linha, tinha um desconhecido precisando de ajuda. “Ele disse que queria se matar e perguntou se eu podia ouvi-lo.

Parei tudo que estava fazendo para escutar aquele homem durante três horas de ligação”. A psicóloga conta que depois de uma semana recebeu outra ligação do homem com uma notícia que marcou sua vida.

Psicóloga Marta Batista de Souza é uma das voluntárias do projeto Arquivo pessoal "A senhora salvou a minha vida, estava pronto para deixar minha esposa e meus filhos'", foi isso que ele disse no telefone e questionou quanto eu cobraria pela consulta.

Não cobrei nada e respondi que ele já havia ‘pago com a vida’.

Quando paramos para ouvir o outro, estamos ajudando de uma forma que as vezes nem imaginamos.”