Com população por mais tempo em casa, médicos e bombeiros orientam sobre riscos de ocorrências no lar.

Crianças e idosos requerem atenção.

Crianças são potenciais vítimas de acidentes domésticos e requerem atenção constante Senado/Divulgação A redução de circulação de pessoas determinada pelo poder público em Divinópolis tem como objetivo reduzir a curva de contágio do novo coronavírus.

Com menos pessoas nas ruas, outras ocorrências, como acidentes de trânsito, tiveram queda de registros.

Mas outros casos despertam preocupação nos profissionais de saúde e de primeiros socorros: os acidentes domésticos. De acordo com monitoramento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros, não houve aumento no acionamento dos serviços de resgate, em parte, pelas próprias ações de prevenção divulgadas pelos órgãos (veja encarte no fim da reportagem). "Foi uma preocupação nossa já no início do isolamento começar a divulgar material de prevenção de acidente doméstico, pensando nessa possibilidade e, graças a Deus, não observamos aumento nos chamados.

As ocorrências mais comuns são relacionadas ao período do ano, como captura de animais, e agora, começando o período de estiagem, vão começar os incêndios em vegetação", afirmou o tenente Márcio Túlio de Oliveira Silva, da Seção de comunicação organizacional do 10º Batalhão de Bombeiros Militar. UPA Padre Roberto conta com ambientes separados para receber pacientes com sintomas respiratórios em Divinópolis PMD/Divulgação Apesar disso, casos ainda são atendidos em Divinópolis, principalmente nos plantões de urgência e emergência.

De acordo com o diretor técnico do Samu e diretor da UPA Padre Roberto, Marco Aurélio Lobão, mais famílias têm procurado o pronto atendimento durante o período de isolamento social. "A gente percebe que, em função das famílias estarem no ambiente domiciliar, mesmo sendo um ambiente teoricamente protegido, há alguns riscos.

Temos atendido a ocorrências relacionadas a acidentes domésticos.

Não temos uma estatística, mas percebemos pequenos cortes, intoxicações exógenas (por medicamentos ou produtos de limpeza ingeridos por crianças), mordeduras de animais domésticos e quedas, como na na hora de fazer uma manutenção, por exemplo.

São acidentes que podem representar um risco grande para o paciente", relatou o médico. Nesse cenário, dois públicos requerem mais cuidados: crianças e idosos.

As primeiras são potenciais vítimas de ingestão de produtos inadequados para consumo e também na hora de brincar com os pets da família ou em áreas próximas a janelas e varandas, que requerem telas de proteção. "Medicamentos próximos a crianças devem ser guardados em local alto ou trancado com chave, porque a criança pensa que é uma bala e ingere.

Tivemos recentemente intoxicação com uma criança que bebeu álcool em gel, algo inusitado.

Produtos de limpeza, como detergentes e, principalmente, soda cáustica são de extremo perigo.

Devem ser comprados, utilizados e preferencialmente não guardados.

Crianças são muito curiosas com animais, e estes quando estão se alimentando, acabam reagindo de maneira instintiva e agredindo a criança como mecanismo de defesa.

Objetos perfurocortantes devem ficar protegidos, além do cuidado com áreas com vidros expostos.

Tudo isso pode causar lesões graves", afirmou o diretor da UPA Padre Roberto. Atenção ao piso e remoção de tapetes podem oferecer mais segurança a idosos Pixabay Para pessoas da terceira idade, a retirada de tapetes que podem provocar escorregões é um dos cuidados que podem ser adotados, mas acima de tudo, conforme o tenente Márcio Túlio, é necessário a participação ativa da família na adaptação do ambiente. "Sobre os idosos, as quedas são um caso à parte: a família tem que entender as limitações daquela pessoa e preparar o ambiente em que ela vive: barras no banheiro, piso antiderrapante ou emborrachado", disse o militar. O diretor da UPA Padre Roberto e do Samu, Marco Aurélio Lobão explicou que, como medida de enfrentamento à Covid-19, as equipes móveis têm adotado procedimentos específicos no caso de atendimento a pacientes sintomáticos.

Na UPA, pessoas com sintomas respiratórios são atendidas em um setor diferente dos demais casos. Ao reforçar a necessidade de manter o isolamento como principal medida de combate à contaminação pelo novo coronavírus, o médico elencou algumas medidas que podem ser adotadas no caso de um acidente doméstico até que o resgate chegue ou até que a pessoa possa ser transportada para uma unidade de pronto atendimento. "Noções de primeiros socorros são fundamentais.

Num choque elétrico, não se deve retirar a pessoa, deve-se desligar o disjuntor para que a pessoa possa ser removida, senão outros também podem ser eletrocutados.

No caso dos cortes, nada mais do que pegar um pano limpo e fazer compressão pontual sobre o local cortado, tem gente que enrola toalha na cabeça e aquele sangramento continua.

Em queimaduras, a área deve ser prontamente resfriada sob a torneira para parar o processo de queimadura.

No caso de desmaio ou perda de consciência, observar se a pessoa está respirando mesmo inconsciente", concluiu. Encarte do Corpo de Bombeiros dá dicas de prevenção a acidentes domésticos CBMMG/Divulgação Corporação trabalha conscientizando jovens e adultos CBMMG/Divulgação