Grupo de cientistas da USP São Carlos, Unicamp, UFAL e Impa analisou dados de 11 cidades paulistas.

Objetivo é que regras sejam implantadas de acordo com a realidade de cada município.

Programa calcula onde e por quanto tempo deve se implantar o isolamento social Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), de São Carlos (SP), e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma ferramenta matemática que permite avaliar quando e com qual intensidade o protocolo de distanciamento social deve ser implantado em cada cidade individualmente a fim de evitar o colapso do sistema de saúde, na pandemia de coronavírus. O grupo denominado de ModCovid19 também conta com pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) do Rio de Janeiro.

O programa matemático cruza informações como número de casos confirmados de coronavírus, número de mortes e a ocupação dos leitos de UTI.

A ferramenta pode ajudar as prefeituras a traçar de forma mais eficiente os períodos de isolamento social e se eles devem ser mais rígidos ou brandos, de acordo com os dados de cada cidade. Programa ModCovid19 calcula onde e por quanto tempo deve se implantar o isolamento social Reprodução/EPTV De acordo com os cientistas, as regras de isolamento social podem ser diferentes para os 654 municípios paulistas.

Isso porque algumas cidades estão em uma situação mais crítica do que outras.

“O objetivo primeiro é evitar o colapso do sistema de saúde.

O segundo é geral uma alternância entre as cidades e garantir que parte do Estado esteja sempre aberta, garantindo as atividades econômicas.

E, o terceiro, evitar que uma cidade ou região seja muito penalizada, fechada por muito tempo”, explicou o pesquisador da Unicamp, Paulo Silva. Análise A ferramenta matemática simulou a situação em 11 cidades paulistas, entre elas São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto (SP).

A linha preta representa a previsão de pessoas infectadas e as cores, os níveis de controle classificados como abertura total (azul claro), baixo (verde), moderado (azul), elevado (amarelo), alto (laranja) e severo (vermelho). Programa calcula onde e por quanto tempo deve se implantar o isolamento social Gustavo Bissoli/Arte Na capital, por exemplo, o gráfico mostra que deveria ter um período de isolamento social severo até a última semana de junho.

Depois, mantendo o nível alto até julho e só então poderia começar a afrouxar a medida até a reabertura total.

Em Campinas e Ribeirão Preto, os dados mostram que o isolamento social severo, alto e elevado, deveria seguir até outubro para, então, começar a relaxar as medidas, período que seguiria até dezembro.

Os pesquisadores ressaltaram que o gráfico traz só uma situação hipotética, já que faltam dados confiáveis sobre o avanço da Covid-19 no Brasil.

“Uma limitação desse tipo de abordagem, é que precisamos de dados de boa qualidade e nós sabemos que os dados oficiais da pandemia sofrem de forte subnotificação.

Precisamos também de informações de como são feitas as viagens entre as cidades e informações sobre a capacidade do sistema de saúde”, disse Silva.

Pesquisador da Unicamp, Paulo Silva Reprodução/EPTV Novas etapas Segundo o pesquisador da USP São Carlos, Luis Gustavo Nonato, agora, o desafio do grupo é abastecer o programa com informações mais precisas sobre o novo coronavírus no estado de São Paulo.

“Por exemplo, é realizar uma testagem na população de maneira um pouco mais intensa do que tem sido feita agora.

Nem precisa testar a população toda, já que isso é uma coisa difícil de fazer, mas, pelo menos, fazer uma testagem estatística”, argumentou.

Nonato ainda disse que o objetivo principal é que cada cidade tenha seu plano de distanciamento social individualmente.

“Isso para que a gente não tenha que fechar o estado todo e manter sempre parte dele funcionando”, concluiu.

Pesquisador da USP São Carlos, Luis Gustavo Nonato Marlon Tavoni/EPTV Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.