PDT, PSB, PV, Rede e Cidadania cobram impeachment e dizem que 30 pedidos já foram apresentados à Mesa Diretora da Câmara.

Enfrentamento à pandemia foi principal alvo de críticas.

Apresentação musical durante ato de partidos e artistas contra o governo Jair Bolsonaro Youtube/Reprodução Artistas e representantes de partidos políticos de oposição participaram de um ato virtual, nesta terça-feira (19), com críticas ao governo Jair Bolsonaro.

A maior parte dos discursos pediu o avanço de um processo de impeachment contra o presidente. Segundo as legendas, pelo menos 30 pedidos já foram apresentados até agora, e aguardam avaliação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ato foi convocado pelos partidos Rede Sustentabilidade, Partido Verde, PSB e PDT.

Durante a transmissão, os organizadores informaram que o Cidadania também tinha se juntado ao movimento. Na live, transmitida por redes sociais, os líderes partidários concentraram as principais críticas nas políticas de enfrentamento ao coronavírus e à participação de Bolsonaro em atos com aglomeração e pautas inconstitucionais e antidemocráticas. Houve, ainda, questionamentos sobre as políticas de cultura e meio ambiente e citações ao inquérito que apura suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Os partidos pediram que os apoiadores do ato usassem as cores verde e amarelo – que, segundo as legendas, foram “apropriadas” pelo governo e pelos movimentos que o apoiam.

Pedidos de impeachment Até esta terça, Rodrigo Maia ainda não tinha analisado nenhuma denúncia relacionada a supostos crimes de responsabilidade de Jair Bolsonaro.

Pela Constituição Federal, cabe à Câmara dos Deputados autorizar o procedimento para verificar se houve crime do presidente. Um grupo de advogados acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que o presidente da Câmara fosse obrigado a analisar esses pedidos.

O ministro relator Celso de Mello ainda não decidiu, mas determinou na última sexta (15) que Jair Bolsonaro fosse comunicado oficialmente da ação judicial. Celso de Mello determina que Bolsonaro seja comunicado de ação sobre impeachment Pesquisa Datafolha divulgada no fim de abril mostrou que 45% da população apoiava a abertura de um processo de impeachment no Congresso.

Segundo o levantamento, 48% reprovavam a abertura, e 6% não sabiam opinar.

A margem de erro é de três pontos percentuais. Pronunciamentos Confira, abaixo, alguns dos pronunciamentos feitos durante o ato: Marcelo Serrado, ator "Passou da hora para que esses pedidos [de impeachment] entrem em pauta.

A história do nosso povo é de muito trabalho, sacrifício, de muita luta.

Esse desrespeito é totalmente inadmissível, e para um país saudável, democrático, justo e igualitário, chegou a hora de a gente pedir o impeachment." Marcos Palmeira, ator e ativista pelo meio ambiente Ator Marcos Palmeira em vídeo com críticas ao presidente Jair Bolsonaro Youtube/Reprodução “Já está mais do que na hora de a gente formar uma grande frente democrática em defesa do Brasil.

Esquecendo a ideologia, direita, esquerda, vamos todos focar no que é bom para o Brasil.

A gente precisa se juntar, estar muito clara a distância do governo federal para a nossa realidade.

A gente sofreu traumas com o impeachment, mas essa é a ferramenta que a gente tem na democracia para mudar aquilo que não vem dando certo. Eu queria muito que tivesse dado certo.

Queria muito mesmo, que esse governo tivesse dado certo.

Como ia torcer também pro governo do outro candidato, caso tivesse sido eleito.

Mas a gente está vendo que não é assim, a coisa não tá funcionando desse jeito.

As instituições estão realmente ameaçadas”. Marco Nanini, ator “Não podemos admitir que um governante aja diante dessa pandemia de forma prepotente, atropelando evidencias científicas e orientações dos profissionais da saúde, motivado por uma vaidade ímpar e interesses obscuros, ele quer impor o uso de medicamentos sem comprovação de eficácia e ainda interromper o isolamento social.

Essas atitudes são um total desrespeito aos profissionais da área de saúde e todos os demais que estão empenhados em diminuir o tamanho dessa tragédia.

Nossa defesa é pedir o impeachment do presidente Bolsonaro.

Impeachment já” Cássia Kis, atriz “Um impeachment, mais um.

Puxa vida, que pena, trabalheira.

Que trabalheira para essa nação que não quer outra coisa a não ser paz, crescer no ritmo que tem que ser.

Com todos com direito ao que é importante na vida.

Que é ter direito a dormir em paz, trabalhar em paz, estudar em paz, construir sua família em paz.

[...] Essa característica, essa personalidade cansa bastante.

E não nos traz paz.

E eu sinto muito senhor presidente, mas seria tão bom se o senhor se retirasse, porque ia poupar bastante.

Então, eu gostaria muito que o senhor se retirasse, se cuidasse, fosse cuidar da sua família, dos seus filhos e que a gente pudesse atravessar, chegar nessa nova fase o mais rápido possível.” Rubens Ricupero, jurista e ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente Jurista Rubens Ricupero em vídeo com críticas ao presidente Jair Bolsonaro Youtube/Reprodução “O afastamento do presidente Bolsonaro pelo meio constitucional e democrático do impeachment é não só a condição para que o Brasil possa enfrentar seus problemas, mas a única possibilidade de evitar um retrocesso na nossa conquista e afirmação da democracia.

[...] O presidente, hoje, é o principal obstáculo ao próprio enfrentamento da pandemia.

Não há dúvida nenhuma de que o Brasil chegou a essa situação trágica de mais de 12 mil, 13 mil mortes, que se multiplicam a cada dia, devido às falhas do governo federal, sobretudo. “Nós já estamos praticamente escrevendo a página mais trágica da nossa história de saúde.

Portanto, não há mais o que aguardar.

Motivos para o impeachment não faltam.

Desde o começo desse governo, eles vêm se acumulando, seria até cansativo aqui enumerá-los.

Estamos vendo a cada momento, sobretudo nesses últimos tempos, uma espécie de escalada nas provocações, nas conclamações para fechamento do Congresso, fechamento do Supremo Tribunal, atentados à democracia de todo tipo.

Ao contrário do que se diz, trata-se de uma medida urgente, premente, é uma pré-condição [...] para que o Brasil possa começar a enfrentar os seus problemas.” Ciro Gomes, candidato à presidência em 2018 pelo PDT “Numa democracia presidencialista, a única forma de você punir um presidente da República que cometeu e vem cometendo crimes de responsabilidade é o impeachment.

Eu já disse e vou repetir muitas vezes: o impeachment não é uma solução para governo ruim.

Um impeachment é uma punição pelo cometimento de crime de responsabilidade.

E Bolsonaro tem cometido, sistemática e reiteradamente, pelo menos quatro crimes de responsabilidade.

[...] A parte jurídica está clara.

Agora, trata-se da parte política.” Marina Silva, candidata à presidência em 2018 pela Rede “O presidente Bolsonaro, ele aposta no caos, quer ver o Brasil em convulsão social para poder justificar o seu projeto autoritário de poder.

Ele sabe que não tem competência, não tem compromisso ético e político para governar numa democracia.

Até porque numa democracia a sociedade precisa ser ouvida, os poderes são independentes, há liberdade de imprensa, o governante não pode fazer o que bem entende ao arrepio da Constituição como ele, o tempo todo, tenta fazer em relação aos órgãos de defesa do meio ambiente e à própria Polícia Federal, como denunciou o seu ex-ministro da Justiça.”