O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), durante sessão no Senado Moreira Mariz/Agência Senado O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), defendeu neste sábado (23) a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Bezerra Coelho participou do programa GloboNews Debate e comentou o conteúdo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, cujo conteúdo se tornou conhecido na última sexta (22). Na gravação, Weintraub disse: "'Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF" - reveja no vídeo mais abaixo. Ao ser questionado se demitiria o ministro caso fosse presidente da República, o senador Fernando Bezerra foi direto: "Sim, demitiria". Na avaliação do líder do governo, os comentários de Abraham Weintraub foram o pior momento da reunião ministerial que antecedeu a saída do ministro Sergio Moro do governo. Fernando Bezerra revelou ter comentado com o presidente Jair Bolsonaro o conteúdo das declarações de Weintraub.

Disse ao presidente que achou totalmente inapropriados os comentários do ministro da Educação. Avaliou ainda, com Bolsonaro, que a gravação não traz informação relevante para o inquérito que tramita no STF contra o presidente da República. Weintraub chama ministros do STF de ‘vagabundos’ e defende mandá-los para prisão Mais críticas Os senadores Kátia Abreu (PP-TO) e Tassso Jereissati (PSDB-CE), que também participaram do programa GloboNews Debate, foram na mesma linha do líder do governo. Criticaram duramente a fala de Weintraub.

Tasso disse que demitiria o ministro, e Kátia Abreu, que jamais o nomearia para comandar a pasta da Educação. Bolsonaro tem sido pressionado por integrantes do governo e por parlamentares a demitir Abraham Weintraub.

Agora, as pressões aumentaram.

O ministro da Educação deve ser alvo de pedidos de convocação e de impedimento no Legislativo. O ministro da Educação, Abraham Weintraub Wilson Dias/Agência Brasil Weintraub Abraham Weintraub pertence à ala ideológica do governo e costuma criar polêmicas que, na avaliação da ala militar do Palácio do Planalto, geram desgaste para a imagem do presidente da República.

Até aqui, porém, o presidente sempre defendeu o ministro da Educação e não cogitou tirá-lo da pasta. Nos últimos dias, porém, Weintraub foi enquadrado pelo presidente em duas situações.

Foi obrigado a aceitar indicações de nomes ligados ao "Centrão" para cargos no Ministério da Educação, algo que ele resistia.

E, a seu contragosto, adiou a data do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Os dois movimentos de Bolsonaro visam melhorar o relacionamento com o Congresso Nacional e garantir uma base mínima de cerca de 200 parlamentares para evitar derrotas dentro do Legislativo, como a autorização para abertura de uma eventual ação penal contra ele no Supremo Tribunal Federal. Sobre o trecho do vídeo em que Weintraub diz que mandaria prender ministros do Supremo, o decano Celso de Mello, relator do inquérito que investiga as acusações de Sergio Moro de suposta interferência política na Polícia Federal, determinou que todos os ministros da Corte sejam oficiados para que, caso queiram, adotem as medidas cabíveis.