Édouard Philippe confirmou que o Estado vai investir 'maciçamente' no setor, mas não revelou o montante dos investimentos.

O primeiro-ministro francês Edouard Philippe discursa no início de debate no Ministério da Saúde, em Paris, destinado a melhorar as condições de trabalho, salários e assistência ao paciente no setor médico nesta segunda-feira (25).

O presidente francês prometeu um plano de investimento "maciço" para o setor de saúde pública da França Michel Euler/Pool/AFP O governo francês lançou nesta segunda-feira (25) sete semanas de debates para buscar soluções contra decadência do sistema hospitalar da França, evidenciada na crise do coronavírus.

Diante de 300 participantes reunidos em videoconferência, o primeiro-ministro Édouard Philippe confirmou que o Estado vai investir "maciçamente" no setor, mas não revelou o montante dos investimentos. O premiê julga necessário acelerar os projetos propostos para redinamizar o setor hospitalar francês e promete apoiar os estabelecimentos na busca de soluções contra sua enorme dívida.

Em 2019, o governo havia anunciado um primeiro "plano" que previa a exoneração de um terço da dívida dos hospitais públicos, isto é, um alívio de € 10 bilhões, além de investimentos de € 150 milhões por ano. "Temos que ir além desta promessa", estimou hoje Édouard Philippe ao abrir o debate chamado de "Ségur da Saúde", em uma alusão ao endereço do ministério da Saúde (avenida Ségur em Paris).

"Lançaremos um vasto plano de ajuda ao investimento que completará a exoneração da dívida", garantiu o chefe do governo. O primeiro-ministro não revelou o montante do pacote, mas detalhou que uma parte dele deve ser dedicada a projetos locais, para "acelerar a cooperação entre as cidades, os hospitais e os serviços médicos e sociais, assim como a colaboração entre o público e o privado".

Ele salientou que o objetivo não é a construção de novos estabelecimentos, mas orientar e acabar com o endividamento que atinge € 30 bilhões. Iniciativa de Macron A conferência sobre a saúde foi uma iniciativa do presidente Emmanuel Macron.

A pandemia do coronavírus revelou hospitais públicos franceses, que já foram considerados os melhores do mundo, em péssimo estado.

Além da falta de material de proteção, como máscaras e blusas, e de medicamentos, a crise evidenciou a diminuição de leitos, principalmente em UTIs, e a pauperização dos profissionais de saúde.

Os salários das enfermeiras francesas são os mais baixos entre os países europeus da OCDE. Em 25 de março, Macron havia prometido durante uma visita a um hospital de Mulhouse, uma das regiões francesas mais atingidas pela epidemia, um "importante plano de investimentos" para o setor após a crise do coronavírus.

Segundo o ministro da Saúde, Olivier Véran, o projeto visa tanto os hospitais quanto as casas de repouso (Ehpad).

Olivier Véran havia antecipado um plano de ajuda de € 13 bilhões. Reivindicações salariais Os profissionais da saúde franceses reivindicam aumentos salariais.

Em uma mensagem compartilhada nas redes sociais, eles perguntam "se ficar sem dinheiro, posso pagar com aplausos?".

A pergunta remete aos aplausos diários que recebem dos franceses às 20h, em agradecimento aos esforços na luta contra a Covid-19. Trabalhadores da saúde e representantes de sindicatos participam de uma manifestação ao lado do Ministério da Saúde em Paris, na França, antes das conversas sobre reformas no setor com o objetivo de melhorar as condições de trabalho, salários e pacientes cuidados no setor médico Ludovic Marin/AFP O governo havida decidido pagar a cada profissional do setor um bônus excepcional que varia de € 500 a € 1.500, além de conceder também uma medalha.

Esse anúncio foi recebido com muitas críticas.

Durante uma visita de Macron ao hospital parisiense Pitié Salpétrière, em 15 de maio, um grupo de enfermeiras disse ao presidente que os profissionais da saúde não querem nem medalha nem bônus, mas aumentos salariais e mais recursos para o setor.

"Antes da crise da Covid-19 já estávamos desesperados", lançou uma enfermeira ao chefe de Estado.

"Foi necessário essa crise para que o governo se desse conta que os hospitais estão sofrendo.

Somo as vergonha da Europa.

Precisamos de material", denunciou outra profissional. Na ocasião, o presidente reconheceu que o "plano hospital", lançado por seu goberno em 2019 para reformar o sistema de Saúde francês, era insuficiente para melhorar a qualidade do atendimento médico e as condições de trabalho nos estabelecimentos públicos do país. Lógica de rentabilidade A lógica de rentabilidade, aplicada pelos governos desde a presidência Sarkozy em 2007, e a política de austeridade deixaram a rede hospitalar empobrecida.

O ex-presidente socialista, François Hollande (2012-2017), reconheceu hoje sua "responsabilidade" nessa crise dos hospitais, incluindo a não renovação de estoques de máscaras.

Mas sobre as 35 horas de trabalho mensais, apontadas por muitos como um dos fatores da degradação das condições de trabalho, Hollande pediu que esta conquista social não seja suprimida O diretor da rede de hospitais de Paris, APHP, Martin Hirsch, estima que seria necessário aumentar os salários dos paramédicos de 15% a 20%.  Além do aumento salarial, um manifesto de um coletivo de trabalhadores do setor, publicando neste domingo (24) pede negociações sobre os planos de evolução de carreira, mais leitos, o fim das desigualdades territoriais e sociais de acesso à saúde.

O texto também reivindica a volta da produção na França de medicamentos essenciais O "Ségur da Saúde", que reúne 300 representantes do setor, acontece até o mês de julho.