Cercas foram colocados nos acessos de área periférica da capital da Argentina.

Medidas de isolamento continuam no país.

Crianças jogam futebol em bairro na periferia de Buenos Aires, Argentina, cercado para evitar propagação do novo coronavírus Juan Mabromata/AFP O Villa Azul, um bairro popular na periferia de Buenos Aires e foco do contágio da Covid-19, tornou-se o primeiro assentamento informal isolado pelas autoridades que tentam impedir a propagação do novo coronavírus na Argentina nesta segunda-feira (25). "Hoje se considera todo o bairro 'contato estreito', motivo pelo qual foi cercado pelas forças de segurança", disse à agência France Presse uma fonte da província de Buenos Aires. Ninguém pode sair, salvo por motivos sanitários.

O Estado procura dar toda a contenção possível", acrescentou.

A 17 km ao sul de Buenos Aires, no bairro de cerca de 3 mil habitantes em ruas estreitas e com moradias muito precárias, 53 casos de Covid-19 foram confirmados, enquanto outros 50 estão em avaliação.

Cercas foram colocadas em cada via de acesso para impedir a saída e entrada de vizinhos pelos próximos 15 dias, cobrindo um perímetro de cerca de 12 hectares.

O objetivo é impedir que o coronavírus atravesse a rodovia e entre na vizinha Villa Itatí, onde vivem outras 16 mil pessoas.

Vulnerabilidade na periferia Moradores de Villa Azul, na Argentina, vivem em condições precárias.

Bairro foi isolado nesta segunda (25) Juan Mabromata/AFP Villa Azul, entre as localidades de Avellaneda e Quilmes, é um dos 1,8 mil bairros e assentamentos vulneráveis, quase sem serviços públicos, que abrigam mais de 3 milhões de pessoas nos arredores de Buenos Aires.

A esta população se somam outras 350 mil pessoas que vivem em vilarejos de emergência dentro da capital argentina e onde, há duas semanas, em meio a um prolongado corte de água, foi desencadeada uma onda de contágios, forçando a flexibilização da quarentena na cidade.

Entre a capital e a província de Buenos Aires se concentram 80% das 12.063 dos contágios no país, dos quais 456 morreram e 3.999 se recuperaram.

Policial vigia cerca montada ao redor de bairro na periferia de Buenos Aires, na Argentina Juan Mabromata/AFP "O principal é conter o foco epidemiológico.

É muito complicado, é um pouco incômodo para os moradores, e a angústia por não saber como isso vai evoluir é compreensível.

O importante é levar tranquilidade", disse o ministro da Segurança de Buenos Aires, Sergio Berni, responsável pela operação em Villa Azul, organizada em três turnos de 100 agentes cada.

As autoridades garantem que entregarão alimentos, remédios e produtos de limpeza e de higiene pessoal a todos os moradores, mas muitos ainda não sabem disso ou desconfiam. Esses bairros periféricos, onde o isolamento social casa por casa é impraticável devido à superlotação e à pobreza, tornaram-se o principal foco do governo do presidente Alberto Fernández, que declarou quarentena em 20 de março e no sábado a prolongou até 7 de junho.

O presidente alertou que "não há histórico [de como tratar esses bairros] porque na Europa e nos Estados Unidos não há bairros populares como existem na Argentina ou na América Latina". Initial plugin text