Montadora anunciou um plano que envolve o corte de 15 mil empregos em todo o mundo, buscando uma economia de mais de US$ 2,2 bilhões nos próximos 3 anos.

Milhares protestam no norte da França após Renault anunciar demissão de 4,6 mil funcionários FRANCOIS LO PRESTI / AFP Milhares de pessoas protestaram na manhã deste sábado (30) em frente a fábrica da Renault em Maubeuge, na França, contra as demissões anunciadas na sexta-feira (29).

Segundo a fabricante, 15 mil postos de trabalho serão cortados, sendo 4.600 em território francês. Renault vai cortar 15 mil postos de trabalho no mundo para reduzir custos Renault e Nissan terão todos os compactos com a mesma plataforma no Brasil Com aproximadamente 2.100 empregados e mil prestadores de serviços, a unidade deverá ter sua produção transferida para a cidade de Douai, a cerca de 75 km de distância.

Atualmente, Maubeuge produz a configuração elétrica do utilitário Kangoo. Entre as faixas levantadas pelos manifestantes estavam dizeres como "o Kangoo deve ficar em MCA (sigla para a fábrica da cidade)" e "não toquem na nossa fábrica de MCA", além de palavras contra o presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard. De acordo com a agência RFI, o presidente da Renault se reunirá na próxima terça-feira (2) com o ministério da economia da França e representantes sindicais. Manifestante segura bandeira durante ato neste sábado (30) contra a decisão da montadora Renault de cortar 15.000 empregos em todo o mundo FRANCOIS LO PRESTI / AFP Plano de recuperação A Renault anunciou nesta sexta-feira um plano de cortes de custos que envolve, entre outras medidas, a demissão de 15 mil empregados em todo o mundo, o que representa 8% do número total (150 mil).

O objetivo é de uma economia de mais de 2 bilhões de euros (US$ 2,2 bilhões) nos próximos 3 anos.

De acordo com a marca, as demissões não acontecerão de maneira direta e sim por meio de aposentadorias que não serão substituídas, reciclagem profissional, mobilidade interna e demissões voluntárias. “Em um contexto repleto de incertezas e complexidade, este plano é vital para garantir uma performance sólida e sustentável, tendo como prioridade a satisfação dos nossos clientes”, disse a presidente executiva interina da Renault, Clotilde Delbos. Cartaz com os dizeres "renúncia de Senard, Macron mantenha sua palavra", durante protesto neste sábado (30) contra a demissão de funcionários da Renault na França FRANCOIS /AFP Reforço na Aliança A crise do coronavírus foi outro golpe para o mercado de automóveis, que já estava em crise.

Em abril, as vendas caíram 76,3% em consequência do fechamento das concessionárias em muitos países. Neste contexto, a Renault e seus aliados, Nissan e Mitsubishi Motors, decidiram na quarta-feira uma mudança de estratégia para privilegiar a rentabilidade, ao invés da corrida para produzir cada vez mais que havia sido aplicada pelo ex-presidente do grupo, Carlos Ghosn. O objetivo agora é produzir em conjunto quase metade dos modelos das três empresas até 2025. A Nissan reduzirá em 20% sua capacidade de produção mundial nos próximo três anos e fechará uma fábrica na Espanha.

A japonesa também enxugará sua linha de produtos, passando dos 69 atuais para menos de 55.