Integrantes de organização criminosa foram presos em Uberlândia, Iturama e Itajubá.

Entre eles uma advogada e agentes públicos; nomes não foram divulgados.

Forças de segurança em operação realizada na região MPMG/Divulgação Sete pessoas foram presas durante a Operação "Menina Veneno", deflagrada na manhã desta quinta-feira (4) contra uma organização criminosa que atuava em cidades do Triângulo Mineiro e Sul de Minas.

Os mandados de prisão foram cumpridos em Uberlândia, Iturama e Itajubá, pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberaba.

Segundo o promotor José Cícero Barbosa da Silva Júnior, entre os presos estão uma advogada, um empresário (marido dela), agentes públicos e ladrões da cidade de Iturama. "A advogada criminalista e o marido dela exigiam dinheiro das vítimas de furto e roubo de produtos agrícolas para restituir os materiais levados.

Apuramos que agentes públicos ganhavam propina para encontrar os ladrões e os materiais.

Ela tinha acesso informações privilegiadas", explicou o coordenador do Gaeco. Além das prisões preventivas, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão.

Também participaram da operação policiais militares e civis das cidades envolvidas.

Investigação As investigações duraram cinco meses com objetivo de combater a organização criminosa especializada em crimes contra o patrimônio, como furto, extorsão, corrupção ativa, passiva, prevaricação e violação de sigilo. Conforme o Gaeco, em abril de 2019, criminosos roubaram defensivos agrícolas avaliados em R$ 200 mil em uma propriedade rural localizada na região de União de Minas. Logo após o crime, a advogada passava a contactar e a extorquir as vítimas de furtos e roubos dos defensivos agrícolas, bem como os criminosos, oferecendo auxílio para recuperar as mercadorias mediante vantagem financeira – modalidade de extorsão conhecida popularmente como "resgate".

Para sucesso na ação, a suspeita obtinha a localização dos criminosos por meio de informações confidenciais repassadas por agente públicos, sempre mediante propina.

A partir daí, "em esquema requintado de corrupção, violação de sigilos profissionais e aliciamento da investigação criminal, agentes públicos passavam a identificar, contactar e pressionar os criminosos, fazendo com que tais entregassem os produtos subtraídos em troca de vantagem financeira". Ainda conforme o Gaeco, o empresário participava ativamente do esquema de cobranças monetárias das vítimas dos crimes nas propriedades rurais da região. Força-tarefa Promotores de Justiça do Gaeco Uberaba e de Iturama, cinco delegados, 27 policiais civis, um policial penal, agentes do Gaeco, 20 militares e dois servidores do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) participaram da operação.