Eu aqui de novo curtindo uma de crítico de cinema.

Bem, enquanto vocês não escreverem ao Neto (editor) pedindo que eu fique no meu devido lugar, direito religioso, vou escrevendo, afinal, é um sonho frustrado rsrs.

Resgate (2020, Netflix), dirigido por Sam Hargrave, e com roteiro de Joe Russo, é um filme de ação norte-americano que está animando milhões de telespectadores pelo mundo.

A performance de Chris Hemsworth está irretocável, e o filme atende aos apaixonados por cenas de ação complexas, contínuas e cheias de vigor.

É inspirado nos quadrinhos Ciudad de Andre Parks e dos irmãos Russo.

Apesar de o filme ser recheado com cenas de tiros, lutas, armamentos e afins, é possível extrair uma lição importante para os nossos dias, sobretudo, como gerimos nossa família e cuidamos daqueles a quem afirmamos amar.

Indo mais além, o filme ensina como as nossas motivações geram impacto em nossos filhos, e como ações egoístas podem torna-los vulneráveis ao medo.

Tyler Rake, figura central da trama, é um mercenário contratado para salvar Ovi Mahajan (Rudraksha Jaiswal), um menino de 14 anos, filho de Ovi Mahajan Sênior, o maior traficante da Índia, preso, mas que não deixa de manter os negócios, bem como sua fama de gangster.

O menino Ovi é sequestrado por Amir Asif [descrito como o Pablo Escobar de Daca – o maior traficante de Bangladesh], mas logo é resgatado pela equipe ao qual Tyler faz parte.

O resgate é apenas um trabalho, muito bem pago por sinal.

Trata-se de um meio de obtenção de lucro para os mercenários, e não uma ação de misericórdia.

As coisas começam a mudar quando, no curso da entrega do menino, o gangster indiano Ovi Sênior se nega a pagar a equipe de mercenários e tenta retomar o filho por meio dos seus próprios capangas.

A questão é: os mercenários já haviam feito a pior parte, que era enfrentar a poderosa máfia de Asif com poder até mesmo sobre a Força de Elite de Bangladesh e acharam por bem abandona-lo, com exceção de Tyler, que decidiu que o menino não seria tratado como um negócio.

“Vocês dois me veem da mesma forma: mais um negócio do que uma pessoa”, foi o que Ovi “filho” desabafa com Tyler, ao saber que a equipe de mercenários não foi paga pelo pai.

Ponto importante, no início do filme, o pai revela que vai se empenhar no resgate do filho, exclusivamente para evitar a humilhação na briga entre máfias.

É a partir desse momento, que o mercenário adentra no processo de redenção: primeiro, ao revelar o seu passado [confissão] e segundo, ao fazer diferente no presente [defendendo o menino independente de dinheiro].

Tyler abandonou o seu filho pequeno com Linfoma, por não querer ver e acompanhar o sofrimento dele.

Sua covardia tornou-se um fardo que levou por anos, encrustado em um sentimento de culpa e irresponsabilidade.

O menino Ovi estava no meio de um fogo cruzado, duas máfias tratando-o como um objeto.

Com base nesse contexto, o mercenário decide andar em descompasso com o trabalho, dando lugar a misericórdia.

Tyler, agora, lutaria para que Ovi voltasse para casa.

Depois da missão, vem a redenção: essa é uma das frases utilizadas no merchandising do filme.

A redenção de Tyler vem por meio de uma decisão: colocar a vida e a dignidade do guri em primeiro lugar, sobrepujando até mesmo o lucro do trabalho, que era a única coisa que lhe fazia sentido.

Aqui rememoramos dois momentos importantes da história humana: a queda que se traduz pelo abandono do filho doente e o ingresso em um vida hedonista, visando apenas o lucro, independente de a missão ser boa ou ruim e a redenção, a decisão de salvar alguém, mesmo que lhe custe a própria vida – que foi (ou parece) o caso de Tyler, ao pôr em risco sua fonte de sustento e sua própria vida.

Em se tratando de cosmovisão cristã, podemos afirmar que após a redenção, vem a missão.

Foi assim que aconteceu no filme, quando aquele que antes era um mercenário, passa a agir de forma misericordiosa: aqui, mais uma importante lição que Cristo nos ensina no seu poderoso ato de regeneração: não há nada de bom que o homem possa fazer, se não for inspirado e impulsionado pelo próprio Deus, que é o sumo bem, “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13).

Nesse sentido, o teólogo Wayne Grudem explica:Deus também refreia as pessoas de serem tão más quanto poderiam.

Novamente o reino demoníaco, totalmente dedicado ao mal e à destruição, proporciona um contraste claro com a sociedade humana, na qual o mal é claramente refreado.

Se as pessoas persistem dura e repetidamente em seguir o pecado durante o curso de sua vida, Deus finalmente as entregará ao maior de todos os pecados (cf.

Salmos 81:12; Romanos 1:24,26,28), mas no caso da maioria dos seres humanos eles não caem nas profundezas às quais seus pecados normalmente os levariam, porque Deus intervém e coloca freio na sua conduta.

Um refreamento muito eficaz é a força da consciência.

[1] A maneira como lidamos com determinadas responsabilidades, e como cuidamos daqueles que aparecem na caminhada cristã, revelam a nossa perspectiva de Redenção sobre Cristo.

Apesar de nossas boas ações independerem da nossa gratidão a Deus, porque é Dele quem provém o bom e o belo, para aqueles ao qual a verdade foi revelada, há uma tríplice responsabilidade: por aquilo que se absorveu, por aquilo que se vive, e por aquilo que se oferece aos outros.

[1] A Graça Comum por Wayne Grudem.

Disponível em: <http://www.

monergismo.

com/textos/pneumatologia/graca_comum_grudem.

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