Violonista e guitarrista paulistano se situa no mundo do jazz brasileiro em disco autoral programado para 17 de julho.

Capa do álbum 'City of dreams', de Chico Pinheiro Fernanda Faya com arte de Marina Pappa Resenha de álbum Título: City of dreams Artista: Chico Pinheiro Gravadora: Inpartmaint Cotação: * * * * ♪ Tivesse a trilha sonora do Brasil mantido o alto nível da era da MPB, Chico Pinheiro estaria sendo aclamado cotidianamente como um dos grandes violonistas e guitarristas do país pela refinada musicalidade reiterada no oitavo álbum do artista, City of dreams, programado para ser lançado em escala mundial em 17 de julho com 11 faixas.

Dentro do atual panorama musical brasileiro, no qual a MPB pulsa às margens da indústria, restou ao músico e compositor paulistano – radicado em Nova York (EUA) – o mercado internacional, alvo primordial deste disco gravado por Pinheiro com Bruno Migotto (baixo), Chris Potter (saxofones), Edu Ribeiro (bateria) e Tiago Costa (piano).

Ao se unir a esse quarteto para tocar repertório inteiramente composto e arranjado pelo próprio chico Pinheiro, o artista mostra o domínio da língua do jazz sem fronteiras, como atesta as audições dos temas Long story short e Invisible lights.

Só que, mesmo situado na terra universal do jazz, o álbum City of dreams se (im)põe no mundo como disco de um violonista brasileiro.

Basta ouvir Estrada real para que salte aos ouvidos, logo no primeiro dos quatro minutos da faixa, ecos da escola do violão brasileiro, ainda que o (inicialmente) autodidata Pinheiro tenha se diplomado na referencial Berklee College of Music de Boston (Massachusetts, EUA).

Se Estrada real reverbera influências de Dori Caymmi pelo caminho, inclusive nos vocais de Pinheiro, Gesture mostra que, assim como todos os grandes músicos surgidos no Brasil a partir dos anos 1960, Chico Pinheiro se nutriu da soberania da música de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) sem que tivesse deixado de delinear a própria assinatura na cena do jazz brasileiro.

Até porque há um lirismo nas execuções de Theme e de Interlude que parece ter vindo da canção sentimental brasileira.

Já Encantado cai sem ortodoxia no suingue do samba, com a brasilidade que soa mais diluída na frenética pegada jazzística de Vila Madalena, provável reminiscência da origem do artista nascido há quase 45 anos, em dezembro de 1975, na cidade de São Paulo (SP).

Farol sinaliza que, acima de fronteiras musicais, o som feito por Chico Pinheiro no álbum City of dreams é do mundo.

Até porque, nesse vasto mundo, parece haver mais gente a valorizar a estupenda musicalidade do artista do que no desafinado Brasil de 2020.