Nesses dias, venho refletindo no seminário teológico sobre a questão do posicionamento do cristianismo no cenário cultural do ocidente, onde vemos que, historicamente, é o lado do globo terrestre mais evangelizado e influenciado pelo pensamento judaico-cristão.

E em meio a esta análise da realidade, percebo que o ocidente sofre pouquíssima influência dos valores de Cristo e de seu evangelho.

Os avanços das leis progressistas que favorecem as práticas do aborto, do consumo de drogas que viciam e do casamento gay são apenas a ponta do iceberg que tomou a América e a Europa.

Vivemos dias em que a Igreja é útil, mas somente no âmbito privado – cada um com a sua “fé”, assim como cada um que fique com a sua “verdade”.

O cristão deste tempo se sente reprimido a falar aberta e publicamente sobre Jesus e sua obra redentora.

Muitos já não testemunham mais para não serem rejeitados nos ambientes acadêmicos.

Apesar de o continente americano professar majoritariamente a religião cristã, é justamente a parte do mundo ocidental que mais desidratou a mensagem do evangelho, bem como as implicações de uma cosmovisão genuinamente cristã no modus vivendi dos indivíduos nas últimas décadas.

E como a Igreja é uma comunidade de pessoas que foram salvas por Jesus, que reconhecem serem pecadoras e bem como sua necessidade da graça de Deus – o que nós chamamos de “cristãos” – a mesma acaba se tornando uma presa fácil nas garras da secularização estrutural e do espírito egoísta da religiosidade que deforma a imagem de Cristo nos crentes, fazendo dele meros frequentadores de templos e indivíduos ávidos por poder e visibilidade nas ambiências eclesiásticas.

Como diz João Calvino, “a igreja é o corpo de crentes lavados pelo sangue, e seus filhos, unidos pelo Espírito Santo em uma comunidade local, sob a supervisão de subpastores qualificados a fim de ouvir a Palavra de Deus e obedecê-la; crentes que se beneficiam do batismo e da comunhão, e são o povo de Deus ao mundo”.

Ou seja, temos identidade, autoridade e missão.

Porém, a única forma de tais palavras serem vividas no contexto de uma contraposição cultural que é tão urgente se dá pela ação conjunta do Espírito com a Noiva, de forma que os cristãos não se calam ante às negações das verdades absolutas da Escritura, bem como avançam no testemunho e na propagação do evangelho vivo e verdadeiro, que redime homens da escravidão do pecado e faz aumentar a comunidade do Cristo que pode e foi chamada para salgar a terra e iluminar o mundo.

A esperança de um Brasil menos corrupto, violento e imoral ainda está na Santa Igreja de Jesus.

Se os cristãos assumirem suas responsabilidades com relação à teologia pública, evangelização, discipulado e também o mandato cultural, certamente veremos o crescimento numérico se configurar em crescimento em maturidade, serviço e frutos espirituais.