Verdade seja dita: a esquerda radical apaixonada pelo lulismo é, de forma visceral, intolerante e completamente desequilibrada emocionalmente.

O vídeo que foi compartilhado pela ex-deputada e ex-candidata a vice-presidente da República na chapa petista é simplesmente um grito de guerra do feminismo ressentido e adepto ao revanchismo político que deseja muito mais polarizar o debate e incitar o ódio do que propor uma construção política que possa garantir os [justos] direitos das mulheres.

O vídeo trata de uma música e uma dança que servem como um protesto até legítimo; o problema se dá não na manifestação pública ou midiática, mas no conteúdo absurdamente hostil às instituições e que põe no mesmo saco a farinha boa e a estragada – para essas pessoas, a polícia de modo geral é parte daquilo que insistem em dizer que existe, a totalmente discutível “cultura do estupro”; ou seja, o delegado de polícia ou o agente policial que falha no exercício de sua profissão é culpabilizado na mesma proporção de um criminoso estuprador.

O que você, cidadão pagador de impostos e cumpridor da Lei, acha disso?Como se não bastasse a absurda premissa, a acusação na letra da música tem uma abrangência ainda maior: os juízes, os políticos, os Estado como um todo e, como não podia faltar, o presidente da República que talvez seja na cabeça dessa gente “o macho estuprador-mor”.

Somente numa esquerda doentia e totalmente afetada pelo vírus do “vitimismo progressista estrutural” que tal manifestação pública poderia ganhar ampla divulgação e repercussão.

No entanto, o que está ruim ainda pode piorar.

Ainda temos na letra da música a seguinte expressão: “o estuprador és tu”.

Tal frase abre margem para um leque de interpretações, pois pode estar se referindo às Instituições acusadas na canção, como pode estar apontando o dedo acusador para todo e qualquer indivíduo que possa cometer qualquer ato ou passividade em relação ao que pessoas como Manuela d’Ávila consideram ser um crime.

Particularmente eu reconheço que a mulher no Brasil precisa de mais amparo por parte do Estado e acredito que a luta por igualdade social é legítima quando tal luta política não é subserviente a uma ideologia separatista e completamente fundamentada num conceito anti-institucional.

Quando a mulher precisa de uma representatividade nessa esquerda radical que se ofende com qualquer frase de Jair Bolsonaro mas relativiza qualquer fala machista do Ciro Gomes, isso é um sinal de que tal mulher está longe de ver as transformações necessárias acontecerem.

E eu digo isso por uma simples razão: a luta da grande maioria dessas pessoas que fazem uso da bandeira da política identitária não é uma luta política, e sim uma luta eleitoreira – o que se deseja na verdade é cooptar pessoas menos esclarecidas para que se engajem no exército odioso e completamente antidemocrático; o que fatalmente culmina num caos social e numa instabilidade política que lhes favorece na tomada de espaços pelo poder.

Caro leitor, uma ação totalmente descabida como essa necessita de uma reação inteligente e contundente.

O radicalismo dessa esquerda que me parece ter se descolado completamente da realidade precisa ser desmascarado com afirmações públicas que desmontem a retórica fajuta de que o crime do indivíduo é praticado por toda a sociedade ou por uma instituição inteira.

Temos de deixar claro que, numa sociedade que se almeja ser justa, os verdadeiros culpados pelos crimes é quem devem ser culpabilizados pelos mesmos e não o cidadão que vive bem longe de tal prática.

O estuprador não sou eu e não pode ser “todo mundo”.

O estuprador é o estuprador e a senhora Manuela d’Ávila precisa limpar a própria lente com a qual vê o mundo e a realidade das coisas.