A pastora Simone Soares, do Ministério Tabernáculo do Avivamento em Porto Seguro (BA), está desenvolvendo um trabalho de apoio para mulheres vítimas de violência.

Criada por uma tia, após o pai matar sua mãe, Simone foi levada aos 13 anos para Anápolis (GO) para acompanhar seu tio em um tratamento espiritual na Casa de Dom Inácio de Loyola em Abadiânia, onde o médium João de Deus atendia.

Ali Simone foi abusada física e sexualmente pelo religioso.

“João falou para minha tia que eu e minhas irmãs éramos médiuns e passei a realizar atividades na casa, como segurar materiais usados na enfermaria”, relatou ela.

Na primeira vez, João de Deus abriu sua calça, tirou sua blusa e tocou em seu corpo.

“Não houve estupro, mas ele fez o que quis.

Me senti muito mal, mas tinha medo de denunciar uma entidade, como ele era considerado”, disse ela ao UOL.

Um ano depois ela e sua tia se mudaram para Goiânia, mas cinco anos depois ela voltou para a cidade do médium.

“Era como se algo me puxasse para aquele local.

Aos 17, resolvi reencontrar o João para conversar com ele e tentar impedir que ele abusasse de outras vítimas.

Mas ele veio para cima de mim, e o empurrei.

Minutos depois, veio um segurança dele, apontou uma arma para mim e me mandou sair de lá”.

Simone se converteu tempos depois e aos 21 anos iniciou um trabalho falando com mulheres sobre abusos e foi até a delegacia denunciar o médium.

Pelo tempo, ela foi informada que o crime estava prescrito.

Sua história foi contada no livro “O que Deus fez por mim”, uma biografia onde Simone revela tudo o que passou e como encontrou na fé a cura para suas feridas internas.

Por saber de várias mulheres que são abusadas físicas e sexualmente, ela resolveu criar um abrigo para permitir que as vítimas tenham onde reconstruir suas vidas.

“O objetivo é acolher vítimas de violência.

Muitas me procuram para falar sobre isso, fazer denúncias, então senti que precisava ter esse espaço.

Preciso de parceria com empresas e psicólogas para atendê-las.

Já tenho o terreno e muito material foi doado.

Começamos a construir, mas não temos previsão de inauguração”, adiantou ela ao pedir apoio.