Estamos finalizando o primeiro mês do ano.

É nítido como as pessoas estão mais focadas, ou pelo menos mais empolgadas, com os novos desafios.

As academias ficam cheias de novos alunos dispostos a saírem do sedentarismo.

As fotos do Instagram mostram pratos mais saudáveis de pessoas tentando mudar os hábitos alimentares.

No âmbito espiritual surgem cadernos e agendas devocionais novos, bem como livros recém saídos empoeirados das prateleiras, na tentativa de recomeçar a boa prática da leitura.

Há inclusive aquela velha promessa de ler a bíblia toda em um ano.

Tem aqueles que focam na área financeira, na tentativa de saírem do endividamento ou pelo menos amenizarem o atoleiro.

Alguns pais prometem mentalmente que serão mais pacientes com os filhos e que terão mais tempo de qualidade com eles.

No início de ano sempre tem aquele desejo clássico de reduzir o tempo nas redes sociais, de prestar menos atenção as superficialidades e tudo mais.

Tanta motivação boa, tanta oportunidade de mudança.

Infelizmente toda essa empolgação tende a diminuir gradativamente ao longo dos meses.

E, por que não dizer, ao longo das semanas.

A grande verdade é que ninguém vive somente de empolgação.

Entusiasmo está diretamente ligado a sentimento e sentimento passa.

Quando percebes, você está recebendo mensagem da academia dizendo que estão sentindo sua falta.

Isto quando você não chuta o balde com essa coisa de comer alface e grão de bico e se atira de vez nas mesmas escolhas gordurentas do ano passado.

Com boa vontade você até segura a linha com as finanças, mas é só a animação passar que chega a fatura do cartão de crédito nas alturas outra vez.

É assim em tudo na nossa vida.

Somos naturalmente indisciplinados e inconstantes.

O apóstolo Paulo nos alerta em Gálatas 6.

9: “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos”.

Fazer o bem, assim como manter bons hábitos de vida cansa.

Ter atitudes que acrescentem, que nos tragam crescimento e inclusive abençoe os outros, exige perseverança.

É essa firmeza que muitas vezes nos escapa em meio a rotina.

É a tal da paciência que muitas vezes nos falta.

E por não termos consistência, vivemos num ciclo vicioso de começa e para.

A vida não vai pra frente ou até vai, mas tão devagar que dá dó.

No versículo em questão, Paulo nos lembra que existe um tempo próprio para a colheita.

Não é mágica, não tem como acelerar o processo.

E aí, ao meu ver, está o nosso grande problema.

Nós muitas vezes queremos colher os frutos, mas temos preguiça de plantar.

Queremos as bênçãos mas não temos a constância de obedecer, de renunciar, de pagar o preço.

É mais fácil, principalmente para nós mulheres, dizer que “a fulana só pode ter feito alguma cirurgia para estar com aquele corpão”, do que admitir que ela está colhendo os frutos de uma vida saudável.

Começamos a dar desculpas e julgar o esforço dos outros como “pura sorte” ou “ se eu tivesse o pai que ele tem também seria bem sucedido”.

Coisas mesquinhas desse tipo.

E então nos tornamos coitadinhos, deixamos o protagonismo de lado e assumimos o vitimismo.

No fim do versículo há uma condição.

“Se” e apenas se não desanimarmos, teremos uma boa colheita.

Antes da semeadura chegar porém, quero deixar um pequeno conselho.

É bem provável que no meio do processo, em qualquer área da sua vida, você vá desanimar.

Por vezes até cair.

É assim mesmo, todos sabemos.

Levante-se, recomece.

Independente se é janeiro ou setembro.

Se já quebrou a cara antes ou se está se aventurando pela primeira vez em um projeto, levante-se e recomece.

Você não pode estagnar.

Sim, eu sei, o sol é forte, a terra muitas vezes é seca.

Mas as sementes estão bem aí na sua mão.

Plante-as.

Chorando pelo caminho se preciso for.

E então, na hora certa e sem mágica, do jeito que tem que ser, os frutos virão, maduros e saborosos.

Você finalmente sentirá o doce na sua boca e o prazer de saborear o gosto da sua dedicação e coragem.

Essa é a minha oração.

Um ótimo ano para todos nós com uma grande e farta boa colheita.