Levantamento feito através da Lei de Acesso à Informação mostra que alunos têm rotina escolar prejudicada por reformas paradas.

Mais de 50 escolas do RS têm obras inacabadas, o que afeta professores e alunos A falta de conclusão de obras em escolas da rede estadual causa preocupação na comunidade escolar.

Segundo levantamento obtido pela RBS TV através da Lei de Acesso à Informação, são 871 demandas de obras em curso nas instituições, em 57 escolas com construções inacabadas.

Do total, 228 estão sendo executadas, 210 em fase de contratação, 92 em licitação e 341 em elaboração de contrato.

Aditivos ou reestruturações nos projetos estão por trás dos atrasos, conforme a Secretaria Estadual de Educação.

A Escola Estadual Nossa Senhora do Livramento em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi alvo de um incêndio criminoso em 2016 e ainda não foi reaberta por completo.

Há três anos, os alunos têm aulas improvisadas em um prédio ao lado, cedido pela prefeitura da cidade. A diretora Marisa Kaller dos Santos afirma que a falta de salas de aula dificulta aos professores realizarem atividades diferentes com os alunos.

"O professor não tem opção nem de fazer um trabalho em grupo na sala de aula.

As salas são muito pequenas então ele não consegue desenvolver um trabalho diferente.

A rotina é o quadro e sala de aula, não tem como o professor trabalhar de uma forma diversificada.

Os próprios alunos esperam todo o ano voltar para a sala de aula." Ela relata que, em 2018, as reformas iniciaram, mas no decorrer das obras descobriu-se que o contrato não cobria o reboco das paredes.

Como o dinheiro foi utilizado para o reboco, faltou verba para a iluminação, piso e portas. "Precisou de um aditivo para complementar os valores, que não estava previsto reboco, nem a reforma do refeitório.

Foi feito o aditivo de mais de R$139 mil, só que não foi liberado pelo governo", disse a diretora. Em Porto Alegre, no bairro Jardim Sabará, os alunos da Escola Estadual Itália também têm a rotina prejudicada.

A escola já tem o dinheiro reservado para reformas, só que a obra está parada desde março de 2018.

Entre as melhorias, estão a troca de todas as portas e fechaduras.

Segundo a diretora, Sabrina Silveira, aponta que estão sucateadas e a maioria não tranca mais. "Durante o recreio os alunos acabam circulando com seus materiais e mochilas junto, porque ficam receosos em deixar dentro da sala de aula", relata Sabrina. O contrato prevê a construção de mais uma sala de aula, um vestiário, adequação do refeitório e um novo cercamento da quadra de esportes.

De acordo com a diretora, o dinheiro não é liberado por problemas burocráticos. "Nós tivemos uma pequena alteração do projeto, que não traria nenhum tipo de custo, não teria aumento de valor.

Mas era necessário fundamentar isso no projeto, e é o que a Secretaria de Educação nos diz, que essa demora é devido a isso.

O dinheiro nós recebemos ainda na gestão da diretora anterior, abriu-se a conta no banco, o dinheiro foi creditado, e ele está lá creditado e parado." A Secretaria de Educação confirmou que a obra da Escola Nossa Senhora do Livramento está paralisada para elaboração de um termo aditivo e na Escola Itália, para adequações no projeto, e que 50% da obra já foi concluída. Também afirma que está sendo realizado um estudo para, nos próximos meses, as obras das 57 escolas serem retomadas.

A previsão orçamentária da pasta para obras e reformas em 2020 é de R$ 94 milhões.