Jurados consideraram Alexsandro Ichisato de Azevedo culpado por atropelar manifestantes em junho de 2013, entre eles Marcos Delefrate, de 18 anos.

Defesa diz que vai recorrer da sentença.

O empresário Alexsandro Ichisato de Azevedo foi condenado a 64 anos de prisão por atropelar e matar o estudante Marcos Delefrate, e deixar outras quatro pessoas feridas, durante um protesto em junho de 2013 em Ribeirão Preto (SP).

Cabe recurso. O veredito foi lido pela juíza Isabel Cristina Alonso Bezerra Zara na noite desta terça-feira (4), após dois dias de julgamento no Fórum de Ribeirão Preto.

Azevedo está preso desde julho de 2013 e não poderá recorrer da pena em liberdade, segundo afirmou a magistrada. "Os crimes demonstram ausência de compaixão ao ser humano e exigem do juiz maior rigor." O júri composto por quatro homens e três mulheres considerou o empresário culpado por homicídio qualificado, em relação à morte de Delefrate, e por quatro tentativas de homicídio, devido às vítimas que sobreviveram.

Três delas, inclusive, foram ouvidas no julgamento. Na sentença, a juíza explicou que Azevedo foi condenado a 24 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado - por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima - e a 40 anos de prisão pelas quatro tentativas de homicídio duplamente qualificadas - com as mesmas qualificadoras anteriores.

A leitura da decisão foi concluída às 20h20 desta terça-feira.

As penas foram somadas porque a Justiça considerou que houve concurso material, ou seja, quando o réu, mediante mais de uma ação, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Alexsandro Ichisato de Azevedo dentro do carro, antes de atropelar os manifestantes, em 20 de junho de 2013, em Ribeirão Preto Reprodução Defesa O advogado Antônio Carlos de Oliveira, um dos três que representam o réu, disse que vai recorrer da sentença no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) porque considera que o júri foi contrário às provas apresentadas nos autos e para que "sejam observadas as causas de nulidade registradas em ata". "Como a defesa sustenta a semi-imputabilidade, a juíza deveria ter questionado o júri se achava necessário que se dissolvesse o Conselho de Sentença para realizar a prova pericial e isso não foi feito.

Então, a defesa entende que isso é uma causa de nulidade", afirmou. A defesa sustenta ainda a tese de que Azevedo não tinha a intenção de matar o estudante, mas agiu em legítima defesa, ao ter o carro cercado e danificado pelos manifestantes com socos e chutes. "Foi um reconhecimento exagerado, não houve bom senso por parte dos jurados.

Mesmo porque, a defesa elencou várias teses durante o julgamento, teses razoáveis de que ele agiu por violenta emoção e injusta provocação." O estudante Marcos Delefrate foi atropelado e morto durante protesto em 20 de junho de 2013 em Ribeirão Preto Arquivo Pessoal Julgamento No primeiro dia de julgamento, encerrado no início da noite de segunda-feira (3), foram ouvidas seis testemunhas de defesa e duas de acusação.

Uma vítima do atropelamento convocada pela acusação não compareceu ao Tribunal. Também foi realizado o interrogatório do empresário, que pediu perdão e disse que se sentiu coagido ao ter o veículo cercado pelos manifestantes na saída de um supermercado na Avenida Adolfo Bianco Molina, negando a intenção de matar qualquer um deles. Nesta terça-feira, o julgamento foi marcado pelos debates.

Por uma hora e meia, o promotor de Justiça Marcus Túlio Nicolino expôs a tese da acusação, enquanto os advogados de Azevedo tiveram o mesmo tempo para defendê-lo.

A réplica durou uma hora para cada uma das partes. A defesa destacou que a Justiça negou três pedidos para que Azevedo fosse submetido a exame de sanidade mental.

Os advogados queriam que o empresário fosse considerado semi-imputável, porque faz uso de medicação controlada, como anti-depressivos. O júri de Alexsandro Ichisato de Azevedo em junho de 2013, a SUV do empresário atingiu pessoas em uma manifestação em Ribeirão Preto; Marcos Delefrate morreu no local e outras 12 pessoas atingidas sobreviveram; Azevedo é julgado por homicídio qualificado, pela morte de Delefrate, e por 4 tentativas de homicídio, em relação a outros atingidos; a acusação argumenta que Ichisato teve intenção de matar os manifestantes; a defesa alega que o empresário agiu sob intensa emoção, com medo da própria integridade diante da multidão que cercava o carro; o réu está preso preventivamente desde julho de 2013; seis testemunhas de defesa e duas de acusação, além do réu, foram ouvidos no primeiro dia do julgamento; Promotoria e defesa debateram teses no segundo dia de julgamento. O atropelamento O atropelamento ocorreu no final do protesto em 20 de junho de 2013.

Azevedo e a ex-namorada deixavam um supermercado em um veículo SUV, quando se depararam com os manifestantes no cruzamento das avenidas Professor João Fiúsa e Adolfo Bianco Molina. O grupo pedia que o empresário recuasse, mas, depois de uma discussão, ele acelerou e avançou com o automóvel, atingindo Delefrate e outras 12 pessoas.

O atropelamento foi gravado por manifestantes. Em três vídeos incluídos no processo é possível ver uma mulher conversando com o empresário e pedindo que ele recue.

Atrás dela, pessoas exaltadas ofendem Azevedo.

Um homem de camiseta vermelha chega a dar um soco no para-brisa do carro. Luzes vermelhas semelhantes a laser também são disparadas contra o rosto do empresário e da ex-namorada, que está no banco do passageiro.

Em determinado momento, a porta do motorista é aberta, mas acaba sendo fechada em seguida. O carro começa então a recuar e os manifestantes em coro passam a gritar ofensas contra Azevedo.

Cartazes são levantados e, em uma das imagens, é possível ver um jovem – do lado direito do veículo – batendo um skate sobre o capô ao menos duas vezes. Após o atropelamento, o empresário fugiu sem prestar socorro às vítimas.

O veículo foi apreendido na casa dele, em um condomínio na zona Sul da cidade.

Azevedo foi preso em 18 de julho de 2013, em uma clínica para dependentes químicos em Bragança Paulista (SP). Em 14 de agosto daquele ano, a 2ª Vara Criminal de Ribeirão decretou a prisão preventiva dele.

Azevedo passou a fazer tratamento contra depressão e, devido ao quadro clínico, tentou suicídio em setembro de 2017, quando ainda estava no Centro de Detenção Provisória (CDP). Após o episódio, o empresário também se envolveu em uma briga com presos que integravam uma facção criminosa.

Agredido e ferido, ele foi transferido para a penitenciária em Balbinos (SP). Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca