Caged também aponta aumento de 36% nas contratações do subsetor de 'transportes' em 2019.

Economista diz que é preciso avaliar se recuperação vai se consolidar ao longo do ano.

Venda de caminhões aumenta e ajuda a gerar empregos em Ribeirão Preto Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) apontam a venda de 170 caminhões zero quilômetro em janeiro desse ano em Ribeirão Preto (SP), quase seis vezes mais que no mesmo período do ano passado, quando 29 veículos foram vendidos. Além do resultado positivo para o setor, os números indicam uma possível continuidade de crescimento das oportunidades de emprego.

O subsetor “transportes e comunicações”, que integra o setor de serviços, encerrou 2019 com geração de 826 vagas de trabalho. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), esse índice representa alta de 10,4% em relação ao ano anterior – em 2018, o subsetor gerou 748 postos de trabalho.

Motorista de furgão continua sendo a função com maior saldo de empregos – alta de 36%. “Cada vez mais aquela expectativa de melhora com o novo governo e acabou que deu certo, estamos empregados”, disse o motorista Wesgrasley Viana, que conseguiu uma oportunidade de trabalho com carteira assinada em Ribeirão Preto após cinco meses desempregado. Caminhões na Rodovia Anhanguera (SP-330) em Ribeirão Preto Fábio Junior/EPTV O motorista Manoel Messias também comemora a recolocação no mercado de trabalho.

Ele conta que atua na área há 13 anos, mas ficou trabalhando por conta própria durante um tempo, até ser contratado por uma transportadora em janeiro desse ano. “A sensação é de alivio.

A gente desempregado sabe que vai acumulando contas, vão chegando as contas, a gente tem um monte de compromisso para cumprir.

Então, é uma sensação de alívio, uma sensação boa”, disse. Diretor de uma transportadora em Ribeirão Preto, Rodrigo Silva disse que sente os reflexos do aquecimento da economia, como a recuperação da construção civil.

A empresa já contratou motoristas e comprou 14 caminhões. “Um bom momento, acho que em todos os setores.

Pelo é o que estou sentindo, porque a gente corresponde direto no mercado.

Se o mercado de transporte está aquecido, todas as pontas com certeza estão aquecidas também”, concluiu. Motorista abre caminhão no pátio da transportadora em Ribeirão Preto Fábio Junior/EPTV Voo de galinha O economista Edgard Monforte Merlo explicou que, apesar do resultado positivo, o momento não é de comemoração, relacionando os dados ao voo de uma galinha: a ave sobe, mas cai em seguida.

Segundo Merlo, é preciso observar se a recuperação vai se consolidar ao longo do ano. "Vai ser um crescimento pequeno, reduzido, com instabilidade.

Então, o que recomendo: cautela.

Quem está no mercado vai ter algum respiro, vai poder continuar melhorando.

Não é hora de entrar no mercado, comprar caminhão", disse. Merlo destacou que a economia brasileira está se recuperando graças ao mercado interno, já que os principais destinos de exportação, como Argentina e China, por exemplo, enfrentam problemas econômicos e de saúde pública, que afetam diretamente os negócios. "O mercado de cargas avulsas é muito competitivo, em que o preço nem sempre remunera o investimento.

Ainda mais em um período desses, em que a recuperação começa a acontecer, mas não está consolidada.

Nesse momento é arriscado investir", pontuou. Veja mais notícias do G1 Ribeirão Preto e Franca