Jornalista havia sido acusado de associação criminosa e participação nas invasões de celulares.

Dos seis denunciados que viraram réus, só dois seguem presos em Brasília; todos negam as acusações.

Jornalista Glenn Greenwald em julho de 2019 Adriano Machado/Reuters O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, rejeitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o jornalista Glenn Greenwald, do site "The Intercept", pela suposta participação na invasão de celulares de autoridades.

Os outros seis denunciados foram transformados em réus, e serão levados a julgamento.

Ainda não há data prevista para que isso ocorra. No dia 21 de fevereiro, o procurador Wellington Divino de Oliveira denunciou Glenn Greenwald por associação criminosa e crime de interceptação telefônica, informática ou telemática, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. De acordo com o Ministério Público Federal, o jornalista "auxiliou, orientou e incentivou" o grupo de hackers suspeito de ter invadido os celulares de autoridades durante o período em que os delitos foram cometidos. Glenn não tinha sido indiciado pela Polícia Federal, que pediu o julgamento apenas dos outros seis suspeitos de integrar o grupo.

O nome do jornalista foi incluído na denúncia pelo MPF. O juiz Ricardo Leite considerou que não havia elementos sobre Glenn Greenwald, mas acolheu o pedido do Ministério Público contra os outros seis acusados.

Com isso, passam a ser réus: Walter Delgatti Netto Thiago Eliezer Martins Santos Danilo Cristiano Marques Gustavo Henrique Elias Santos Luiz Henrique Molição Suelen Oliveira Os seis foram alvos de duas operações da Polícia Federal e chegaram a ser presos.

Somente Walter Delgatti Neto e Thiago Eliezer, apontados pelo Ministério Público como líderes do grupo, seguem presos em Brasília.

Todos eles negam que tenham cometido os crimes. Entenda a denúncia do MPF contra o jornalista Glenn Greenwald Liminar de Gilmar Mendes A decisão de Ricardo Leite leva em consideração a liminar deferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, em 2019.

O ministro proibiu que órgãos de investigação ou administrativos apurassem como Glenn Greenwald teve acesso às mensagens interceptadas dos celulares de autoridades. "Deixo de receber, por ora, a denúncia em desfavor de Glenn Greenwald, diante da controvérsia sobre a amplitude da liminar deferida pelo Ministro Gilmar Mendes na ADPF nº 601, em 24/08/2019", diz a decisão desta quinta.

Mendes atendeu a pedido feito em ação do partido Rede Sustentabilidade para impedir investigações sobre o jornalista.

Segundo o ministro, a decisão visa proteger o sigilo da fonte jornalística, assegurada pela Constituição. Em trechos da decisão, de dez páginas, Ricardo Leite afirma ver indícios de crimes praticados por Glenn.

O juiz federal afirma, por exemplo, que o jornalista "instiga" um dos acusados a apagar as mensagens interceptadas. "Instigar significa reforçar uma ideia já existente.

O agente (no caso Luiz Molição) já possuía um plano de comportamento em mente, sendo motivado por Glenn.

Pelo nosso sistema penal, esta conduta integra uma das formas de participação moral, atraindo sua responsabilidade sobre a conduta praticada", diz Leite. "Neste ponto, entendo que há clara tentativa de obstar o trabalho de apuração do ilícito, não sendo possível utilizar a prerrogativa de sigilo da fonte para criar uma excludente de ilicitude.” Ricardo Leite afirma que esse "auxílio moral" dado por Glenn poderia, inclusive, dar motivo a um pedido de prisão preventiva. "Este auxílio moral possui relevância no campo jurídico, já que, de forma análoga, o artigo 305 (supressão de documento) ou 349 (favorecimento real) do Código Penal prevê a supressão de documento e a frustração da persecução penal, respectivamente, como delitos.

Este comportamento pode induzir inclusive a decretação de prisão preventiva, quando há investigação em curso." Initial plugin text