Conteúdo da delação está em sigilo.

Cabral foi condenado a mais de 280 anos de prisão e está preso desde 2016; ex-governador já admitiu ter recebido propina e indicou outros envolvidos.

Ex-governador Sérgio Cabral, em 2019, ao ser conduzido pela PF para prestar depoimento Wilton Junior/Estadão Conteúdo O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quinta-feira (6) a delação premiada do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. O acordo de delação foi firmado com a Polícia Federal em dezembro.

O teor da colaboração está sob sigilo. O procurador-geral da República, Augusto Aras, foi contra a validação.

Entendeu que os valores que Cabral se comprometeu a devolver já estavam bloqueados pela Justiça e que o ex-governador não apresentou fatos novos nos depoimentos. A Procuradoria Geral da República deve recorrer da validação nos próximos dias.

Fachin, então, deverá levar o recurso ao plenário da Corte, formado pelos 11 ministros, ou para julgamento na Segunda Turma, formada por cinco ministros que julgam a Lava Jato. Com a validação pelo STF, o conteúdo da delação pode ser usado em investigações em andamento e levar à abertura de novos inquéritos. Fachin também enviará para instâncias inferiores as informações sobre pessoas sem foro privilegiado ou que se refiram a suspeitas cometidas fora do cargo atual por autoridades com foro no STF.

Sérgio Cabral confirma propina para Luiz Fernando Pezão durante oito anos de governo Prisão do ex-governador Cabral está preso desde outubro de 2016, e foi condenado a mais de 280 anos de prisão pela Justiça.

A maioria desses processos está relacionada à operação Lava Jato. O ex-governador vem admitindo, desde o ano passado, que recebeu propina enquanto ocupava cargo público.

Ele também apontou outros supostos membros da organização criminosa.

Na segunda-feira (3), Cabral afirmou que o também ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) ajudou a estruturar esquema de propina (veja no vídeo acima).

O depoimento foi dado ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, no âmbito da operação Boca de Lobo, que prendeu Pezão.