A sonda europeia revelará as imagens mais próximas do Sol já capturadas, também, será a primeira vez que os polos da nossa estrela vão ser fotografados.

Lançamento da Sonda Solar Orbiter que vai estudar o sol Handout / NASA / AFP Lançada no domingo (9) à noite, a missão solar Orbiter busca explorar os ventos solares - um fenômeno carregado de partículas potencialmente perigosas para as telecomunicações - e capturar imagens inéditas da estrela.

Sol se prepara para novo ciclo com chance de mais erupções que podem afetar a Terra A descoberta do novo planeta que pode dar pistas sobre a morte do Sol A sonda da Agência Espacial Europeia (ESA), em colaboração com a Nasa, partiu de Cabo Canaveral às 23h03 locais (01h03 de segunda-feira no horário de Brasília).

"Os painéis solares, necessários para carregar as baterias, foram instalados aproximadamente 75 minutos depois da decolagem.

A sonda está começando a navegar", disse Jane Lafort, diretora de operações científicas da sonda.

Depois de passar pelas órbitas de Vênus e Mercúrio, o satélite, cuja velocidade máxima será de 245.000 km/h, poderá se aproximar até 42 milhões de quilômetros do Sol, ou seja, menos de um terço da distância que o separa da Terra. Com essa trajetória, Solar Orbiter "terá a capacidade de olhar diretamente para o Sol”, disse Matthieu Berthomier, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França.

"De cara, parece que estamos conectados com todo o sistema solar”, disse Daniel Muller, cientista do projeto na ESA, pouco depois do lançamento.

"Temos uma meta em comum: fazer boa ciência com esta missão.

Vamos conseguir", declarou Holly Gilbert, diretora da divisão de ciência heliofísica da Nasa. A sonda é protegida por uma blindagem térmica, já que será exposta a temperaturas que podem chegar a 600°C.

"Quando se aproxima do Sol, não tem problemas de energia, mas há um problema de temperatura", disse Ian Walters, chefe do projeto da Airbus, que construiu o dispositivo.

Os novos dados completarão os compilados pela sonda Parker da NASA, lançada em 2018, que chegou ainda mais perto da superfície do astro (entre 7 e 8 milhões de km), mas sem a tecnologia de observação direta. Sonda Solar Orbiter vai tirar fotos dos polos sul e norte do Sol Handout / Nasa / AFP Meteorologia espacial Com seis instrumentos de tomografia, a sonda europeia revelará as imagens mais próximas do Sol já capturadas.

Também mostrará pela primeira vez os polos de nossa estrela, dos quais apenas as regiões equatoriais são atualmente conhecidas.

Quatro outros instrumentos de medição permitirão sondar o entorno do sol.

O principal objetivo da missão é "compreender como o Sol cria e controla a heliosfera", a bolha magnética que circunda todo o sistema solar, resume Anne Pacros, gerente de missão da ESA. Essa bolha é impregnada de um fluxo ininterrupto de partículas chamado vento solar.

Às vezes, os ventos solares são perturbados por erupções que lançam partículas carregadas que se propagam no espaço.

Essas tempestades, difíceis de prever, têm um impacto direto na Terra: quando atingem a magnetosfera, causam as belas e inofensivas auroras polares.

Mas o impacto também pode ser mais perigoso. "Os ventos solares alteram nosso ambiente eletromagnético.

É o que chamamos de meteorologia do espaço, que pode afetar nossas vidas diárias", diz Berthomier.

A maior tempestade solar conhecida é o "evento Carrington" de 1859 o fenômeno: destruiu a rede de telégrafos nos Estados Unidos, causou choques elétricos a vários agentes, queimou papel nas estações e a aurora boreal ficou visível de latitudes sem precedentes, até América Central.

Erupções perturbam espaço aéreo Em 1989, em Quebec, a modificação do campo magnético da Terra criou uma corrente elétrica em larga escala que, por efeito dominó, derrubou os circuitos elétricos, causando um apagão. As erupções podem ainda perturbar os radares no espaço aéreo, as radiofrequências e destruir satélites.

A viagem da sonda durará dois anos e sua missão científica, entre 5 e 9 anos.

Mas César García, chefe do projeto na ESA, disse na sexta-feira (7) que depois de dez anos - se tudo correr bem - a sonda ainda poderá ter combustível suficiente para continuar seu trabalho. Duilia de Mello: a astrofísica brasileira e a parceria com a Nasa