Para o líder religioso, a 'ideologia de gênero' é um ataque contra a criação de Deus, contra o homem e a mulher'.

Papa Francisco discursa na audiência geral da quarta-feira, 4 de dezembro de 2019 Andrew Medichini/AP O papa Francisco criticou a "teoria do gênero" em um livro-entrevista publicado na Itália nesta terça-feira (11). Essa teoria "quer minar a Humanidade em todos os campos e em todas as variações educacionais possíveis", afirmou o pontífice.

Ele disse que ela é imposta "de cima por certos Estados como o único caminho cultural possível a ser seguido". Francisco já havia falado brevemente sobre esse assunto em um trabalho dedicado ao papa polonês João Paulo II ("São João Paulo, o Grande"). Ele afirma que suas observações não se referem de maneira alguma aos homossexuais, que são bem-vindos à Igreja Católica.

"Minha referência é mais ampla e diz respeito a uma raiz cultural perigosa", aponta ele. Para o papa argentino, a teoria de gênero "propõe implicitamente a destruição na raiz do projeto de criação de Deus para cada um de nós: a diversidade, a distinção". A teoria quer "tornar tudo homogêneo, neutro.

É o ataque contra a diferença, contra a criação de Deus, contra o homem e a mulher". Defendendo-se de qualquer "discriminação" contra alguém, o papa disse que deseja "simplesmente alertar contra a tentação de cair no que foi o projeto maluco dos habitantes de Babel" que, em um episódio bíblico, quiseram se limitar a um único idioma e a um único povo. "Essa aparente uniformidade os levou à autodestruição, porque é um projeto ideológico que não leva em conta a realidade, a verdadeira diversidade das pessoas", acrescenta. "Não é apagando a diferença que vamos nos aproximar, mas é acolhendo o outro em sua diferença", insiste o papa. Outros ataques Em outubro de 2016, no avião que o levava de volta de uma viagem ao Cáucaso, o papa Francisco havia falado de uma "doutrinação desonesta" dos livros escolares franceses influenciados pela "teoria de gênero".

A fala improvisada e imprecisa do soberano pontífice, com base em uma anedota contada a ele por um pai francês, provocou uma avalanche de críticas na França. No verão passado, o Vaticano publicou um texto destinado a ajudar os professores nas escolas católicas a combater a "ideologia" de gênero, que "nega a diferença natural entre um homem e uma mulher", enquanto favorece o diálogo e a abertura. O texto intitulado "Ele os criou homem e mulher" reafirma o papel da família composta por um pai e uma mãe.