No "Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência" o Terra da Gente reúne algumas das iniciativas de cientistas brasileiras.

Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência Arte TG Um plano para a travessia segura de animais silvestres pelas rodovias do País; uma expedição em busca de novas espécies da avifauna amazônica e um aplicativo que une acessibilidade e educação ambiental.

Quem está por trás de todos esses projetos são biólogas e pesquisadoras brasileiras, dedicadas à conservação da biodiversidade.

Há cinco anos o dia 11 de fevereiro ganhou destaque no calendário das cientistas: determinado pela Assembleia das Nações Unidas, a data é comemorada como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. A iniciativa é um lembrete de que todas desempenham papel fundamental nas comunidades da ciência e tecnologia.

O dia também é importante para ressaltar a longa jornada que ainda deve ser percorrida em busca de igualdade, afinal, mesmo com as conquistas na educação e na força de trabalho nas últimas décadas, apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres.

Roberta Mariano Silva e Maria Isabel Nogueira Di Azevedo se conheceram no meio acadêmico Clube da Biologia/Divulgação Quem são elas? Em busca da popularização da ciência a biomédica Maria Isabel Nogueira Di Azevedo e a bióloga Roberta Mariano Silva apostaram na educação ambiental aliada ao bom humor.

A estratégia é simples, mas já acumula quase 300 mil seguidores nas redes sociais.

"Na era das chamadas Fake News, nosso papel como profissionais digitais é fundamental: divulgar conteúdo de qualidade e evitar ao máximo a propagação de inverdades”, comentam.

As herpetólogas levam à população dados sobre répteis e anfíbios e a importância das espécies Arquivo Pessoal/Daniella França O uso do ambiente virtual para propagar a ciência também se tornou uma ferramenta para pesquisadoras dedicadas à conservação dos anfíbios.

Daniella França e outras sete cientistas, de vários lugares do Brasil, organizam palestras, cursos e oficinas sobre o assunto e também produzem conteúdo para as redes sociais.

“Buscamos sensibilizar a população sobre a conservação dos répteis e anfíbios de forma simples, informativa e lúdica, para que conheçam a riqueza da herpetofauna brasileira e aprendam a valorizá-la sem temê-la”, diz. Trabalho desenvolvido por Fernanda Abra ajuda na conscientização dos motoristas: defesa da fauna Arquivo Pessoal Conquista internacional A bióloga brasileira Fernanda Abra abriu passagem para a participação da mulher na ciência enquanto coordenava um plano para o tráfego seguro de animais silvestres nas estradas do País.

Premiado no Future For Nature 2019, o projeto conta com inúmeras iniciativas que visam minimizar o número de indivíduos atropelados.

Entre elas está a construção de estruturas aéreas e subterrâneas para a passagem da fauna local. "Eu me sinto muito feliz em trabalhar pela conservação de espécies incríveis, como a anta, tamanduá-bandeira, lobo-guará, onça-pintada e outros canídeos e felídeos brasileiros e ser orientada e apoiada por pesquisadores e conservacionistas tão respeitados", diz.

Lorena Patrício se tornou observadora de aves aos 10 anos de idade Giulia Bucheroni/TG Menina "passarinho" Aos 17 anos, Lorena Patrício já é referência no mundo da observação de aves.

O acervo de registros conta com mais de 400 espécies, importantes para novas descobertas da avifauna brasileira.

Além das pesquisas, a jovem se preocupa em incentivar crianças e adolescentes a admirar e conservar a natureza.

Tanto é que, em 2018, lançou um livro com dicas para quem quer iniciar na observação de aves. Durante uma expedição amazônica, cientistas puderam estudar quase 400 espécies de aves Glaucia Del-Rio/Acervo Pessoal Desbravadoras da Amazônia Em agosto do ano passado, 21 mulheres encararam o desafio de percorrer comunidades ao longo do Rio Juruá - que nasce no Peru e banha os estados do Acre e Amazonas, em busca de informações sobre as aves. A ideia foi coletar dados das espécies que ocorrem nos dois lados do rio, em diversos tipos de ambiente afastados da presença humana.

As especialistas gravaram os cantos, capturaram pássaros para retirar amostras de sangue e DNA e coletaram alguns indivíduos para estudo em museus de história natural. Donna Schmitt participa de expedições ornitológicas desde 1970 Glaucia Del-Rio/Acervo Pessoal “O que incentivou esse projeto foi a vontade de mostrar que existem muitas biólogas de campo competentes, que podem trabalhar onde quiserem.

Inspiradas pela força e coragem de Emilie, queríamos também inspirar jovens cientistas que desejam fazer descobertas em locais inexplorados”, explica Gláucia Del-Rio, líder da expedição.