Prefeitura informou que 317 profissionais foram contratados para suprir o déficit e todos os dias e horários perdidos serão repostos.

O ano letivo das escolas e creches da rede municipal de Campinas (SP) começou na última quinta-feira, 6 de fevereiro, mas os estudantes continuam sem aulas.

Segundo mães dos alunos, o motivo seria a falta de professores e agentes de educação infantil.

Na creche Dulcinéia Regina Bittencourt Alves, no Conjunto Habitacional Vila Nova, o aviso de início das aulas continua no portão, mas não voltaram totalmente.

Mães de alunos matriculados no período da tarde reclamam que direção da instituição informou que não há professores efetivos para nenhuma das salas de aula.

Aviso de volta as aulas continua do portão da creche Dulcinéia Bittencout Alves, em Campinas (SP) Jefferson Barbosa/EPTV A vendedora de seguros de veículos Patricia Campos tem um filho de 5 anos matriculado na creche.

Ela conta que não sabe mais o que fazer para continuar trabalhando.

"Desde o primeiro dia não teve aula, só a diretora dando recado que era pra gente aguardar, mas ate agora nada.

Eu saio muito trabalho externo, às vezes tenho que sair da cidade e preciso pedir ajuda de vizinhos, parentes ou levar meu filho junto para poder trabalhar e é cansativo para a idade dele.

Faz muita falta para trabalhar", explica . O filho da manicure Vanessa Ramos estava matriculado na mesma creche.

A criança de 4 anos apresenta atraso no desenvolvimento e é atendida pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura.

Nas avaliações, ele precisa conviver com outras crianças em ambiente escolar.

Diante da falta de aulas, a manicure matriculou o filho em outra escola mais distante da casa onde a família mora. "Ele tem que interagir com outras crianças e é muito importante pra ele estar na escola junto com outros colegas.

Eu entrei em desespero, porque não tem data prevista.

Fui atrás de outra creche para o meu filho.

A outra era pertinho, não tinha gasto nenhum e agora vamos ter que pagar perua, pesa mais no orçamento.

Sou autônoma e vou ter que trabalhar em dobro pra pagar perua", disse.

Documento do Caps de Campinas diz que aluno precisa estar no convívio escolar Jefferson Barbosa/EPTV Na escola municipal de ensino fundamental Doutor Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa, as mães também reclamam da falta de professores.

Na instituição, o problema é a falta de professores em algumas matérias.

Segundo a agente de saúde Aline Santos, o filho dela de 11 anos passa boa parte do tempo na quadra de esportes.

"Ele está no 7º ano e em uma semana já me ligaram da escola pra avisar que não ia ter aula por falta de professores.

Esse problema está desde o ano passado.

Quando vão pra escola e tem janela, pra poder ficar brincando até quatro aulas num horário que tem seis aulas.

As crianças estão cada vez mais desmotivadas e o aprendizado que não existe", conta.

O que diz a Prefeitura Em relação à escola municipal Doutor Edson Luis Chaves, a secretária municipal de educação Solange Villon Pelicer afirmou que o caso aconteceu apenas na segunda-feira (10). "As mães não estão mentindo, mas estamos com professor na escola sim.

Talvez seja professor substituto e é isso que elas estão falando, da falta de professor efetivo", disse.

Sobre a creche Dulcinéia Regina Bittencourt Alves, a secretária informou que foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (13) a convocação dos professores para a instituição e que as aulas serão normalizadas na segunda (17).

"Vários cargos vagaram no dia 1º de janeiro com as aposentadorias, então só podemos chamar nos concursos a hora que esse cargo está de fato vago, quando a pessoa saiu realmente", afirmou.

Pelicer disse ainda que todos os dias e horários de aulas perdidos serão repostos.

Disse ainda que 317 professores foram contratados pela Prefeitura, mas ainda não assumiram o cargo.

Todos os profissionais devem começar a trabalhar em março.

Escola municipal Dr Edson Luis Chaves, em Campinas (SP), está com falta de professores Jefferson Barbosa/EPTV Chamamento público A Prefeitura abriu em 21 de janeiro o chamamento público para que escolas de educação infantil da rede particular interessadas em "vender" vagas apresentassem as propostas com número de cadeiras disponibilizadas.

Cerca de 4 mil crianças entre 0 e 3 anos aguardavam na lista de espera por uma vaga em creches da cidade e a expectativa do município é preencher todo o déficit.

Consultada pelo G1, a Prefeitura não quis divulgar números de instituições inscritas, embora tenha confirmado que há procura das escolas particulares.

Informou ainda que o chamamento permanecerá aberto até que todas as vagas sejam preenchidas.

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