Ao atender a primeira corrida do dia, Gisely Folli recebeu pedido para ajudar adolescente de 16 anos, que entrou em trabalho de parto em casa.

Bebê e mãe passam bem.

Emanuel minutos após nascer, em casa, com o auxílio de uma motorista de aplicativo, em Porto Alegre Arquivo Pessoal/Gisely Folli A sexta-feira (14) começou diferente para a motorista de aplicativo Gisely Caroline Folli, em Porto Alegre.

Ao atender a primeira corrida do dia, a poucas quadras de casa, às 6h40, ela acabou ajudando Nathalia dos Santos Nascimento, de 16 anos, a dar à luz ao primeiro filho: o pequeno Emanuel Eduardo.

"Você cria uma coragem que você não sabe de onde.

O lado mãe te dá forças", comenta Gisely, que tem dois filhos.

A motorista contou ao G1 que foi tudo muito rápido. "Estacionei o carro e a bisavó [do pai da criança] falou para mim 'ela não vai conseguir ir para o carro, por favor me ajuda'", recorda a motorista, que trabalha há dois anos e meio dirigindo.

Quando entrou na casa, Gisely percebeu que a menina já estava em trabalho de parto, e não tinha mais tempo de levar Nathalia para o hospital.

"Ela tava deitada no colchão.

Eu fui lavar as mãos, enquanto isso, já apareceu o cabelinho [da criança]", relata.

Gisely aproveitou a experiência de quem já havia passado por dois partos, e passou a orientar a menina.

"Dizia 'tem que fazer força, porque senão a criança entala'".

A motorista percebeu que o bebê estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço.

"Olhei aquilo e fiquei preocupada".

A jovem seguiu fazendo força, e em poucos minutos, a criança nasceu.

"Veio aos poucos, parece que foi coisa de Deus".

Foi Gisely que tirou o bebê do ventre da mãe e o acomodou na barriga da jovem.

"Fiquei segurando ele na barriga dela, falando para ela ficar calma", conta.

Como Gisely não chegou a cancelar a corrida, ao deixar o carro na frente da residência, o aplicativo contou o tempo desde que ela chegou no local até quando finalizou o parto e conseguiu pegar o celular e cancelar o pedido: foram 28 minutos.

A ambulância chamada pela família ainda demorou cerca de 20 minutos, após o parto, para chegar, conforme a motorista.

'Não saí de perto dela' Somente após a chegada dos paramédicos, Gisely deixou o local.

"Não saí de perto dela.

A gente conversou bastante".

Gisely não tem dúvidas de que ter dado à luz duas vezes a ajudou a saber como agir na situação delicada.

"Foi o que me manteve calma.

Depois, fui para casa, tomar um banho, e aí que eu senti o que tinha acontecido.

Acontece tão rápido.

É uma sensação que não dá para explicar", conta, emocionada.

"Dirijo 12, 14 horas por dia.

Por um aplicativo, tenho quase 10 mil corridas, por outro, cerca de 3 mil.

A gente pega pessoas em diversas situações, felizes, alegres, ou tristes.

Às vezes [o passageiro] chora, e tu tem que falar alguma coisa.

Tem que saber lidar com pessoas.

Não pode ser indiferente.

Tu se põe no lugar do outro", relata.

Nenhuma situação foi tão inusitada quanto ajudar em um parto.

Gisely reconhece que ser mulher fez toda a diferença ao ajudar a mãe.

E a história terminou em uma amizade.

"Ela já me mandou a foto [do bebê], deu o telefone, vou visitá-los quando tiverem alta", conta.

Nathalia ficou grata pela ajuda.

"A Gisely está de parabéns por estar em serviço, que deixou de lado, pra me fazer dar à luz", disse, ainda no hospital, ao G1.

"Deus mandou um anjo para me ajudar", disse Nathália. Emanuel Eduardo nasceu com 2,965 quilos.

Mãe e bebê passam bem.

Bebê e mãe foram encaminhados ao hospital após o parto e passam bem Arquivo Pessoal *A assistente Caroline Oliveira teve a supervisão de Janaína Lopes