Os próprios parlamentares decidiram convocar novas eleições em abril após líderes europeus evitarem dar ao país, uma ex-república da Iugoslávia, uma chance de integrar o bloco.

Macedônia do Norte até mudou de nome para fazer parte da UE.

Bandeira da Macedônia do Norte em Skopje Dragan Perkovksi/AP Photo Parlamentares da Macedônia do Norte decidiram neste domingo (16) dissolver o próprio Congresso e convocar novas eleições para 12 de abril — oito meses antes do fim do mandato previsto. A antecipação do pleito ocorre semanas depois de o primeiro-ministro Zoran Zaev renunciar ao cargo após ver o projeto de adesão da Macedônia do Norte à União Europeia estagnar.

Líderes europeus não levaram adiante o desejo do premiê de iniciar conversas para incluir o país, uma ex-república da Iugoslávia, ao bloco (leia mais sobre o assunto no fim da reportagem). O desejo de integrar a União Europeia, inclusive, levou o país a acrescentar o "do Norte" ao nome e por fim a uma disputa de décadas sobre a denominação "Macedônia" com a Grécia — integrante da UE que tem uma região com o mesmo nome.

Relembre no VÍDEO abaixo. Maioria da população vota a favor em referendo para mudar nome da Macedônia Na véspera, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que permitiria o avanço das negociações somente se o braço executivo da União Europeia fizesse uma avaliação positiva no próximo mês — atrasando as expectativas dos macedônios. As novas eleições, portanto, serão um teste para o grupo favorável à União Europeia, liderados pelos sociais-democratas aliados do ex-primeiro-ministro Zaev.

108 dos 120 parlamentares votaram a favor da antecipação do pleito. Bandeira da Otan é hasteada em Skopje, na Macedônia do Norte, em 11 de fevereiro Ognen Teofilovski/Reuters Apesar da estagnação das conversas com o bloco europeu, a Macedônia do Norte deve se tornar o 30º país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ainda neste ano.

Todos os membros da aliança militar liderada pelos Estados Unidos aprovaram a entrada do país europeu no grupo. UE teme migração descontrolada Líderes da União Europeia se reúnem com chefes de países dos Bálcãs em Bruxelas neste domingo (12) Virginia Mayo/Pool via Reuters Além da Macedônia do Norte, outros países dos Bálcãs — Sérvia, Montenegro, Kosovo, Bósnia e Herzegovina, Albânia e Kosovo — viram as chances de integrar a União Europeia ficarem mais difíceis. Segundo a agência Reuters, isso ocorreu sobretudo porque o bloco europeu tende a ter maior cautela com a adesão de novos países para evitar questionamento sobre fluxo migratórios — uma das razões que levaram à saída do Reino Unido com o Brexit. Cidadãos de países da União Europeia têm livre circulação entre outras nações integrantes do bloco, o que gera um fluxo de migrantes de países mais pobres da Europa — caso das repúblicas dos Bálcãs — às partes mais ricas do continente, como França e Alemanha. Por outro lado, lideranças da União Europeia — principalmente da Alemanha — pretendiam facilitar a entrada dos países dos Bálcãs preocupados com a influência da China e da Rússia no Leste Europeu.