Antropólogo é detido ao tentar impedir fiscalização do Ibama em terra indígena no Pará O histórico de violência na região da terra indígena Ituna-Itatá (PA), especialmente no que diz respeito à atuação de grileiros, tem dificultado há anos os trabalhos da Fundação Nacional do Índio (Funai) na tentativa de confirmar a existência de índios isolados na região e demarcar as terras. Neste domingo (16), o antropólogo Edward Luz foi detido após tentar barrar uma ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e se recusar a deixar a área da terra indígena.

Ele alegou que as fiscalizações haviam sido suspensas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O ministro, contudo, disse não conhecer o homem e defendeu a ação do instituto. O episódio chamou a atenção para a demora na demarcação da terra indígena, que, desde 2011, está sob o status restrição de uso, categoria administrativa e jurídica concedida pela Funai a uma região que deve ser protegida para estudos quando há suspeita de índios isolados. "Lá impera a violência, a bandidagem e pistolagem.

As equipes da Funai não conseguem entrar em campo na região porque sofrem retaliações dos grileiros.

Se o poder público não chegar e tornar segura a região, sem esses intrusos, as expedições, que normalmente são feitas por esquipes de quatro a cinco servidores da Funai, não são realizadas.

E os indígenas são os que mais perdem.

pois podem desaparecer", afirmou ao blog um técnico da Funai que conhece a situação da terra Ituna-Itatá. Dificuldades O método de confirmação da existência de índios isolados é extremamente complexo e exige muitas informações, colhidas na região, como pegadas dos índios (o que já entrou na lista de indícios encontrados neste caso) e contato visual por sobrevoo.

Somente após a confirmação da existência do grupo isolado a terra é, então, demarcada. Para isso, são necessárias várias expedições, incluindo em regiões de difícil acesso (uma delas encontrou pegadas com algumas características de seres humanos que nunca usaram calçados). Mas o que impediu a Funai de prosseguir com as investigações nos últimos nove anos na terra Ituna-Itatá foi uma série de invasões realizadas por grileiros, e a violência desses grupos com os indigenistas do órgão. A restrição de uso existe até a confirmação da presença de indígenas isolados e a delimitação do território.

Depois, constitui-se um Grupo de Trabalho de identificação da Terra Indígena.

Por conta desse histórico de violência, esse processo definitivo da Ituna-Itatá ainda não começou. Registros de índios isolados A Funai trabalha atualmente com 86 registros de índios isolados na região amazônica, mas algumas informações remetem à década de 1980 e esporadicamente são alimentadas com novos relatos. A Ituna-Itatá é um desses registros de índios isolados.

É alimentado com informes históricos dos sertanistas que atuaram na região, e também indígenas de outras etnias. A restrição de uso, que inviabiliza a ocupação da terra Ituna-Itatá, foi também uma das condicionantes para a construção da Usina de Belo Monte, próxima à região. Em 2008, época que coincide com os estudos da Usina de Belo Monte, a Funai manda uma equipe para a região para saber qual é a situação local e encontra vestígios que podem ser de um grupo de índios isolados.

Em 2009, uma frente de proteção etnoambiental é criada.

Em 2011 sai a interdição da TI.

A atuação dos grileiros é relatada por servidores da Funai durante todo esse período, mas ganha proporção maior a partir de 2015, quando é informado um “boom” de invasões na região.