Marcos Antônio Fachetti Filho foi preso na última quinta, também investigado por ocupação irregular de terras da União; associação criminosa; posse e porte ilegais de arma de fogo.

O pai dele, também acusado, está foragido.

Fazendeiro Marcos Antônio Fachetti Filho é preso pela PF; pai dele continua foragido. Reprodução / MPF O pedido de habeas corpus do fazendeiro paraense Marcos Antônio Fachetti Filho foi negado, nesta terça-feira (18), pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília.

Ele e o pai, Marcos Antônio Fachetti, são acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de formação de milícia rural armada na região de Marabá, sudeste do Pará.

O pai continua foragido.

O fazendeiro foi preso preventivamente na última quinta (13), também investigado por ocupação irregular de terras da União; associação criminosa; posse e porte ilegais de arma de fogo.

O G1 tenta contato com a defesa de ambos, mas ainda não obteve resposta. De acordo com o MPF, ribeirinhos e assentados relataram que pai e filho continuaram representando perigo para as famílias que vivem próximas à fazenda deles, localizada entre Marabá e Itupiranga.

A milícia comandada pela dupla continuava agindo e ambos continuavam andando cercados por homens fortemente armados, segundo o MPF.

As famílias ainda informaram de uma tentativa de coação para que assinassem acordo e deixassem as terras que os fazendeiros querem invadir, ainda de acordo com o órgão.

Esta é a segunda vez que a Justiça Federal determina a prisão de ambos.

De acordo com o MPF, os primeiros mandados foram expedidos em dezembro de 2019.

Em operação, a PF conseguiu prender o pai Marcos Antônio, mas ele foi solto após a Justiça ter acatado pedido de liberdade provisória. O desembargador federal Olindo Menezes, relator do caso, afirma que “o decreto que revogou a decisão anterior de concessão de liberdade [...] está suficientemente plausível, [...] porque a situação fática de ameaças a ribeirinhos por interpostas pessoas ou por meio de seguranças privados de escolta armada ainda parece permanecer, o que por ora, ainda está presente o requisito da conveniência da instrução penal”. Entenda o caso Em setembro de 2019, o MPF recebeu relatos de famílias de ribeirinhos em Marabá apontando série de invasões e ameaças praticadas por funcionários da empresa Marca Vigilância.

O grupo teria agido a mando de fazendeiros vizinhos, segundo as investigações.

A reportagem tenta contato com a empresa, mas não obteve retorno. De acordo com o MPF, as famílias já possuem títulos de uso das terras, no caso dos assentados da Comunidade Flor do Brasil e do projeto de assentamento Diamante; e outras já estão em fase de autorização pela União, no caso da comunidade do Lago dos Macacos.

"Os invasores chegaram a apontar armas até para crianças, e atear fogo em alguns barracos.

Além disso, os fazendeiros contrataram um trator de esteira para abrir caminho em meio à vegetação, destruindo plantações, com possível impacto ambiental de grande proporção". A pedido do MPF, em setembro uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou oito homens, supostamente contratados da empresa Marca Vigilância, fazendo barreira armada na estrada que leva à comunidade ribeirinha, para impedir que moradores.

A barreira ficava localizada em terras da União – em área que não pertence a nenhuma das fazendas.

As armas dos vigilantes foram apreendidas. Presos são suspeitos de compor milícia rural em Marabá Ascom/ PRF No dia 4 de outubro, o MPF ajuizou pedido cautelar para suspender contrato de prestação de serviços da Marca Vigilância, e para paralisar atividades de demarcação e expansão das fazendas.

No dia seguinte, nova operação do MPF e da PRF, com participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), coletou novas provas das ilegalidades. No dia 15 de outubro, a Justiça Federal suspendeu atividades da empresa no entorno da região do Lago dos Macacos; do projeto de assentamento Diamante e da Associação Flor do Brasil, entre os municípios de Marabá e Itupiranga.

Mesmo após as operações e a decisão judicial, o MPF recebeu informações de que a Marca Vigilância continuava realizando rondas e intimidando moradores na região. A Justiça Federal então autorizou operação da PF, realizada em 17 de dezembro, para prender os Fachetti, e para busca e apreensão de dados.

O sigilo das comunicações eletrônicas de todos os alvos foi quebrado pela Justiça Federal em Marabá, e os dados devem ser utilizados nas investigações.