Jovem diz que namorado a amarrou e aplicou medicação sem seu consentimento.

Defesa do suspeito ainda não se manifestou sobre o caso.

A grávida, de 21 anos, que foi vítima de uma tentativa de aborto há dois dias em Ariquemes (RO), perdeu o feto na manhã desta quarta-feira (19).

Segundo a jovem, o namorado dela, que é médico, a amarrou na cama e aplicou uma injeção abortiva sem seu o consentimento.

A morte do feto foi confirmada pela Delegacia de Homicídios da cidade.

Segundo o delegado Rodrigo Camargo, que assumiu o caso, o suspeito que havia sido preso em flagrante por tentativa de aborto não concedido pela gestante passa a responder por aborto consumado.

"No momento da prisão o feto ainda estava vivo, por isso ele foi preso por tentativa de aborto.

Agora pela manhã fui informado que o feto não resistiu e veio a óbito.

Com isso, deixa de ser crime tentado e passa a ser consumado", explica o delegado.

Ainda segundo Rodrigo Camargo, foram feitos diversos pedidos periciais para auxiliar nas investigações como: coleta de sangue da grávida para identificar qual substância foi utilizada na injeção, coleta de material do feto para saber se ele morreu em decorrência do medicamento e exame de DNA. "Nesse momento não tenho como dizer qual era o vínculo afetivo entre o médico e essa gestante e se de fato o feto era ou não filho do médico.

Para esclarecer isso deve ser realizado um exame de DNA.

Acredito que em torno de 30 dias nós concluiremos o inquérito ao Ministério Público", disse o delegado.

A defesa do médico ainda não se pronunciou sobre o caso. O caso O médico de 36 anos é o principal suspeito de ter tentado provocar um aborto na namorada, de 21 anos.

Na noite de segunda-feira (17), a jovem contou que recebeu, sem consentimento, uma injeção abortiva. Segundo relato da vítima, o crime teria acontecido depois do casal sair de um motel e ir até a casa do médico.

Enquanto estava na casa, o namorado lhe ofereceu uma massagem, momento que o suspeito teria amarrado as mãos da vítima com uma calcinha.

Usando uma seringa, o homem teria aplicado uma substância na jovem, que estava na 9ª semana de gestação. A vítima alega ter entrado em luta corporal com o suspeito, mas este a dominou e colocou uma substância em seu nariz, quando acabou adormecendo.

Ao acordar, a jovem diz que estava sangrando nas partes íntimas e que o namorado se recusou a levá-la embora. "Ele disse que a medicação era para meu próprio bem", afirmou a mulher em depoimento. Depois da namorada insistir, o médico levou a jovem até a casa da tia, que socorreu a gestante à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). À polícia, o suspeito alegou que a namorada se queixava de cólica, acompanhada de sangramento.

Devido a isso, o médico disse ter administrado um medicamento para dor, além de um intramuscular na nádega direita da namorada. Questionado pelos policiais se tinha conhecimento da gravidez, o homem confirmou que sabia, no entanto, o casal já tinha conversado sobre um aborto como "a melhor solução" para o casal.

Segundo ele, era a namorada quem desejava interromper a gravidez.