Investigação está em andamento no Ministério Público e permanece em segredo de Justiça, em Bauru (SP).

Principal alvo da operação são acordos da companhia com construtoras.

MP ouve última testemunha em operação que apura desvios milionários na Cohab Bauru Giuliano Tamura/TV TEM A Justiça decidiu tornar públicas as informações sobre o material apreendido na Operação João de Barro, deflagrada em 17 de dezembro do ano passado, em Bauru (SP).

A ação investiga irregularidades e desvios na Cohab da cidade. A quebra do sigilo foi autorizada pelo juiz responsável pelo processo, Fábio Correia Bonini.

A TV TEM teve acesso aos autos,que tem como alvo dez partes, entre elas, o ex-presidente da Cohab, Edison Bastos Gasparini Junior. Mesmo com a quebra do sigilo, a investigação está em andamento no Ministério Público e permanece em segredo de Justiça.

Última oitiva O Ministério Público ouviu a última testemunha convocada para prestar depoimento no dia 6 de fevereiro.

Com a conclusão dessa etapa, cinco servidores da companhia foram ouvidos pelo Gaeco.

No entanto, o grupo não informou se outras pessoas ainda irão ser convocadas para prestar depoimentos ou se o inquérito vai seguir para a fase de conclusão e apresentação de denúncia. Mais de R$ 1,6 milhão foram apreendidos durante operação do Gaeco em Bauru Arquivo pessoal No dia 5 de fevereiro, o Banco Central recebeu um pedido do partido Podemos para intervenção na Cohab.

A solicitação foi feita com base em uma lei que admite intervenções em entidades do setor público prejudicadas por má gestão. O documento com o pedido foi entregue pela deputada federal Renata Abreu ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para avaliação.

MP ouve última testemunha em operação que apura desvios milionários na Cohab Bauru No dia 13, uma audiência pública para discutir a dívida milionária da companhia, solicitada pela vereadora Chiara Raniei (DEM), ocorreu na cidade.

De acordo com o presidente da Cohab, Arildo Lima júnior, 80% do patrimônio da companhia estão penhorados por conta das dívidas com as construtoras. “Grande parte da dívida da Cohab não foi feita pela companhia, e sim pela Caixa Econômica Federal, que deixou de repassar os recursos para as construtoras", afirmou a vereadora Chiaria Ranieri, quem solicitou uma audiência publica. Na audiência, também foi solicitado que todos os ex presidentes e ex diretores financeiros, entre 1998 e 2010, participassem, pois este é o período que apresenta divergência no pagamento do seguro habitacional. Três compareceram e dois faltaram, sendo o relator Markinho de Souza (PP) e o pastor Luiz Carlos Barbosa (PRB). Bloqueio de contratos Caixa Econômica Federal pediu na Justiça o bloqueio de contratos devidos pela Cohab TV TEM/Reprodução A Caixa Econômica Federal chegou a pedir na Justiça o bloqueio de contratos devidos pela Cohab.

Esse bloqueio, que ainda é analisado pela Justiça, é referente ao montante de 25 dos 95 contratos com o banco público que a Cohab deve, que totaliza R$ 280 milhões. Segundo o diretor presidente da Cohab, Arildo Lima Júnior, se esse valor for bloqueado, pode comprometer ainda mais a situação financeira da empresa pública.

Isso porque o dinheiro pode ser usado para pagar fornecedores e salários dos funcionários até a finalização do processo de liquidação da companhia, que foi anunciada no final do ano passado e será feita em quatro etapas, sendo a negociação da dívida com a Caixa a primeira.

Prefeitura anunciou a extinção da Cohab durante reunião em Bauru TV TEM / Reprodução A Cohab tenta um acordo com a Caixa para o pagamento da dívida estimada em R$ 430 milhões relativa ao FGTS.

Pelo acordo, a prefeitura de Bauru quitaria a dívida em 20 anos, em parcelas mensais de mais de R$ 2 milhões.

Em dezembro, quando o acordo foi anunciado, a Cohab aguardava o registro da ata de posse da nova diretoria feito pela Junta Comercial de São Paulo (Jucesp).

Essa validação já foi feita, mas o acordo agora depende da discussão sobre esse bloqueio pedido à Justiça pela Caixa.

Investigação do Gaeco Dinheiro foi apreendido durante operação do Gaeco em Bauru Arquivo pessoal O principal alvo da investigação são acordos da companhia com construtoras.

Segundo o Ministério Público, há indícios nas investigações de irregularidades nesses acordos, que estariam favorecendo as construtoras investigadas. Foram cumpridos mandados de busca em 14 residências de representantes, sócios e construtoras da Cohab, sendo 10 em Bauru, dois em Marília, um em Arealva e um em Brasília.

Na casa do ex-presidente da companhia, Edison Gasparini Júnior, foram apreendidos mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo, além de 30 mil em dólares, euros e libras.

Ele solicitou seu afastamento da presidência no mesmo dia. A maior quantidade de reais estava dentro de uma mala e em blocos com notas de R$ 100.

Também foram encontradas notas em gavetas da casa.

(Veja vídeo abaixo). Gaeco apreende R$ 1,6 milhão durante operação que apura desvios na Cohab De acordo com os promotores, são investigadas inicialmente quatro construtoras, duas em Bauru e duas em Marília, que teriam contratos com a companhia que é responsável por construções de casas populares. Essas construtoras teriam acionado a Cohab na Justiça para receber valores devidos ou por quebra de contrato e a companhia teria feito acordos com elas sem a homologação da Justiça, inclusive alguns deles sequer tinham a assinatura dos advogados contratados pela Cohab. No entendimento do Gaeco, a Cohab demorava para receber os valores e pagava de forma muito fácil as empresas mesmo vivendo uma crise financeira com dívidas milionárias.

Ainda segundo as investigações, os prejuízos acumulados crescem em larga escala e contas estão sendo rejeitadas pelo Tribunal de Contas.

Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília