Iniciativas como a do pedreiro Antônio Wayner Silva se multiplicam pela cidade.

Moradores reclamam da falta do serviço de roçada.

Prefeitura diz que segue cronograma.

Cansados de esperar a Prefeitura, moradores cortam mato alto em Ribeirão Preto, SP Cansado de esperar pela poda da Prefeitura, o pedreiro Antônio Wayner Silva resolveu cortar sozinho o mato alto em um trecho da Avenida do Café, na zona Oeste de Ribeirão Preto (SP).

Segundo ele, a vegetação já alcançava um metro de altura e impedia até mesmo a passagem de pedestres pelo canteiro. “Eu resolvi fazer por livre e espontânea vontade.

Já não enxergava as lojas, não enxergava ninguém.

O mato estava muito alto.

O pessoal tinha que passar pela rua de tão alto que o mato estava”, diz.

Um vídeo que mostra o trabalho feito pelo pedreiro foi compartilhado em redes sociais.

Silva afirma que a iniciativa surgiu depois de uma conversa com a dona de um posto de combustíveis na região.

A comerciante doou a gasolina, e o pedreiro usou a própria roçadeira para acabar com o matagal em parte da avenida.

“Estava tendo rato, bichos.

Tinha água acumulada com larvas.

As passagens que tinha aqui estavam tudo cobertas, e as senhoras que passavam aqui machucavam.

Atrapalhava o trânsito”, diz.

O pedreiro Antônio Wayner Silva corta mato alto na Avenida do Café em Ribeirão Preto, SP Jader Brito O pedreiro critica a administração municipal pela falta de atuação.

Segundo ele, o poder público não faz a parte dele.

“Eles cobram que o povo não limpa os terrenos, mas eles não limpam a cidade.

Se precisar deles [Prefeitura], eles não resolvem nada.” Ações se multiplicam A mesma iniciativa teve o comerciante Claudio Antônio Spanghero, que tem uma salgaderia na Avenida do Café.

Acompanhar a programação de roçada do mato virou sinônimo de dor de cabeça, já que, segundo ele, a via não entrava no cronograma.

“Nós, que pagamos impostos, na hora que você precisa, não tem um cronograma da Prefeitura.

A gente tem que fazer.

A gente vê que todo mundo está pedindo e não estão fazendo em lugar nenhum.

É na cidade inteira”, reclama Spanghero.

Nesta quarta-feira, o comerciante continuou a fazer a poda do mato sozinho nas proximidades da loja.

“A imagem do comércio fica feia com aquele mato grande, e o povo joga lixo, garrafa, copo plástico, aqui tem muito andarilho.

Fica uma imagem muito ruim para a nossa avenida aqui, para o nosso comércio, para todos da região.

Temos que agilizar porque a Prefeitura não faz.” O comerciante Antônio Spanghero faz roçada de outro trecho da Avenida do Café em Ribeirão Preto, SP Ronaldo Gomes/EPTV Praça revitalizada O problema do mato não atinge apenas ruas e avenidas da cidade.

No Jardim Independência, na zona Norte, os moradores se organizaram para limpar a Praça Dante Alighieri.

Foram vários mutirões até que a área voltasse a ficar habitável.

“Fizemos pizzas, rifas, brechós, festa junina, para arrecadar dinheiro para reformar a praça.

Hoje em dia, a gente paga um jardineiro para varrer e agora está bom.

A gente consegue aproveitar.

Antes, a gente até vinha aqui, mas os bancos eram muito sujos, era muito lixo”, diz a aposentada Maria Aparecida Alves da Costa Ferri.

As ações arrecadaram R$ 20 mil.

Todo dinheiro foi usado na compra de itens para revitalizar a praça.

“Se dependesse da Prefeitura, ia continuar mato, entulho, tudo jogado.

Reunimos todos os moradores para dar um basta nisso.

Hoje, a praça está assim por causa dos moradores”, diz o empresário Cael Araújo Gonçalves.

Praça Dante Alighieri foi revitalizada por moradores do bairro Jardim Independência em Ribeirão Preto, SP Ronaldo Gomes/EPTV Prefeitura segue cronograma Em nota, a Coordenadoria de Limpeza Urbana informou que o mato cortado pelos moradores na Avenida do Café será recolhido até o final da semana.

A roçada da via está programada para a segunda quinzena de março. Sobre a Praça Dante Alighieri, no Jardim Independência, a Coordenaria informou o trabalho voluntário da comunidade recebe orientação da Divisão de Praças e Parques Públicos. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca