Jovem de 18 anos que gravou conversa com o motorista em um carro de aplicativo no último domingo (16) registrou outro boletim de ocorrência, desta vez por calúnia e difamação.

Ele já é investigado por perturbação da tranquilidade.

Adolescente registrou novo boletim de ocorrência nesta sexta-feira (21).

Jonas Campos / RBS TV O motorista de aplicativo investigado por supostamente assediar uma jovem em Viamão, na Região Metropolitana, também vai responder por crime de difamação.

A informação foi confirmada na tarde desta sexta-feira (21) pela delegada da Delegacia da Mulher da cidade, Marina Dillenburg, após depoimento da jovem de 18 anos.

Um termo circunstanciado vai ser instaurado contra André Lopes Machado, de 43 anos.

Segundo a delegada, "houve crime contra a honra nas manifestações dele".

Marina Dillenburg se refere às declarações dadas por André a jornalistas na terça (18).

Numa delas, o motorista afirmou que a adolescente "estava com um short do 'tipo Anitta', uma miniblusa, com as pernas abertas no banco, me chamando atenção". A cantora usou as redes sociais para comentar o caso e criticar o motorista.

Andreé Lopes Machado já é investigado pelo crime de perturbação da tranquilidade.

Em nota, a Uber informou ao G1 que a conta do motorista foi banida do aplicativo (leia a íntegra do comunicado abaixo). "Ela disse que estava com nojo do que ele estava falando.

Eu expliquei para ela o que era o crime de difamação, que ela poderia fazer o registro e representar ou não ele criminalmente, e a representação seria o start para eu instaurar o procedimento policial.

E ela disse que sim, que gostaria", conta a delegada.

"Depois que nós vimos o depoimento dele, nós nos sentimos ofendidas com todas as declarações.

Muitas mentiras", disse a mãe da jovem à reportagem da RBS TV. Ele deve ser chamado para depor nesse novo processo.

A delegada explica ainda que se trata de um crime de menor potencial ofensivo.

"Por isso, em princípio, se instaura um termo circunstanciado, que é um procedimento mais enxuto.

É levado ao judiciário em 15 dias e não chega a virar processo quando se é feita a transação penal".

A adolescente também forneceu o celular para que a polícia extraísse informações de outras vítimas. "Diante da quantidade de interações que ela teve, é impossível pra gente passar um pente fino.

Então, ela se propôs a divulgar os telefones da Polícia Civil pra que outras vítimas nos procurem e a gente possa subsidiar esse inquérito policial", diz.

"Não gostaria que outra menina, outra mulher passasse por isso.

As pessoas tem que ter o direito de andar como querem", diz a mãe da jovem.

Motorista de aplicativo é banido após jovem gravar suposto assédio em corrida em Viamão Conversa gravada A jovem, que no dia do suposto assédio tinha 17 anos, gravou um vídeo e divulgou nas redes sociais.

[Veja as imagens acima]. Os nomes dos envolvidos não serão divulgados pelo G1 por questão de segurança.

Ela disse que ficou apavorada com tudo que aconteceu. "Ele começou a fazer elogios.

Dizendo que eu era a passageira mais bonita que ele tinha pego, que geralmente só entrava gente feia", disse a adolescente ao G1.

"Fiquei com medo de ser grossa com ele e ele acelerar o carro e fazer algo pior." No vídeo, é possível ouvir o momento em que a jovem diz ser menor de idade ao motorista André Lopes Machado.

Ele, no entanto, rebate e afirma que "não seria um problema". O homem, então, continua: "Seria problema se tivesse 13 anos, e acho que tu não tem 13 anos, 14 para cima tu já é responsável". Depois de postar os vídeos em uma rede social, a jovem recebeu relatos de outras adolescentes dizendo que já conheciam o motorista e que tinham passado pela mesma situação.

De acordo com a delegada, não há denúncia de outros casos envolvendo o motorista. "Foi a primeira vez que ele teve problema com uma passageira.

Não recebemos formalmente nenhuma outra vítima, mas temos nomes e estamos indo atrás.

Mas registro mais ninguém fez ainda", disse Marina Dillenburg. A delegada disse ainda que André "nega que tenha assediado a menina".

"Ele comentou que está sendo injustiçado, que ele teve de deletar os perfis de mídia social, que está repercutindo muito forte na vida dele, mas nega e entende que não houve assédio." Veja a íntegra da nota da Uber: A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres.

A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza às autoridades competentes.

A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita. A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro.

Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS.

Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado. Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei.

A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses. Desde 2018 a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio e podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, entre outras ações.

Em novembro, a Uber anunciou um investimento de R$ 5 milhões para continuidade desse compromisso ao longo dos próximos anos.