'Se a anistia acontecesse aqui, seria um grande prejuízo para o Brasil', afirmou governador.

O governador do Ceará, Camilo Santana José Leomar/SVM Em conversa com o Blog, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse que já abriu processo disciplinar para punição dos policiais militares amotinados que aterrorizam a população.

Em 48 horas de motim, foram registrados 51 assassinatos no estado. O governador enfatizou que não negociará qualquer anistia com os rebelados.

E disse que a anistia tem sido um erro dos governos em todo o país.

“Se a anistia acontecesse aqui, seria um grande prejuízo para o Brasil”, disse Camilo Santana para em seguida completar: “Os governos sempre anistiam essa classe, o que é um erro.

É um erro do país.

Eles (policiais) fazem isso porque acham que depois não vai dar em nada.

Mas a minha decisão é inegociável.

Todos estão sendo identificados e serão punidos com o rigor da lei.

Estamos firmes.

Não podemos ceder.

Vamos dialogar com quem? Com bandido não dá.” Movimento de PMs no Ceará traz de volta debate sobre anistia a militares grevistas Ele ressaltou que não vai permitir qualquer tipo de intimidação.

“Nossa resposta tem que ser com muito rigor.

Nós não podemos permitir as atitudes ilegais, motins, depredação de patrimônio público.

Não podemos permitir homens fardados tentando criar o terror da população”, afirmou. Para Camilo Santana, uma ação política dentro da Polícia Militar do Ceará motivou o motim.

Segundo ele, uma "minoria" está rebelada, mas esse grupo acaba intimidando outros policiais.

De acordo com o governador, havia uma negociação de aumento salarial que tinha sido aprovada pela categoria.

“Abri uma mesa de negociação.

O acordo foi fechado, inclusive com deputados de oposição.

Era uma grande conquista, pois foi dado aumento real mesmo num momento de crise econômica.

Mas existe um fator político por trás disso.

Quem lidera esse movimento são parlamentares e um ex-deputado.

A minoria tem contrariado a lei.

A grande maioria é de qualidade e não entrou nesse movimento”, observou Santana.

Ele diz ter melhorado, ao longo do governo, as condições de trabalho dos policiais.

“Se tem um governador que fez pela polícia do Ceará, fui eu.

Promovi mais de 20 mil homens, o governo deu aumento salarial e fez investimento na segurança pública.

Também foi proposta uma nova reestruturação salarial.” Camilo Santana disse ainda que, com a presença das Forças Armadas (com a decretação da chamada Garantia da Lei e da Ordem) e com os homens da Força Nacional, a situação no Ceará está controlada. “Esses grupos não podem cometer esse tipo de crime.

No início do ano passado, enfrentamos as facções e não recuamos.

E não vamos recuar agora.

Nós vamos garantir a tranquilidade e a normalidade.” Ele ainda defendeu a atitude do senador Cid Gomes (PDT-CE), baleado quando investiu com uma retroescavadeira contra PMs amotinados na cidade de Sobral.

O governador disse que já está identificando os policiais que atiraram no parlamentar.

“A atitude [de Cid Gomes] foi de líder indignado com a forma com que alguns policias tentaram fazer na cidade dele.

É inadmissível que policiais tenham atirado contra um cidadão desarmado, contra um senador que representa a população do Ceará.

Todos estão identificados e serão punidos”, avisou Santana.