O presidente Jair Bolsonaro ao lado do pastor Edilásio Barra, em vídeo de 2016 Reprodução/Redes sociais A indicação do pastor Edilásio Barra, o Tutuca, para a direção da Agência Nacional do Cinema (Ancine) gerou preocupação até em agentes da cultura ligados ao governo pelo fato de o religioso integrar a chamada "ala ideológica". Conforme apurou o blog, integrantes da área de Cultura acreditam que Tutuca não é a pessoa indicada para pacificar os ânimos no setor audiovisual brasileiro também pelo desconhecimento técnico da área.

A nomeação do pastor evangélico, que atuou em outros cargos na área de cultura do governo Bolsonaro, consta do "Diário Oficial da União" desta sexta-feira (21). Um dos problemas da nomeação é o fato de a atuação ideológica de Edilásio Barra como um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro e do PSL no Rio Grande do Sul ter sido considerada "extremamente radical". Edilásio Barra é primo do deputado federal Eder Mauro Barra (PSD-PA).

Apesar de o PSD não ser base de sustentação do governo, o pastor se manteve em outros cargos da gestão Bolsonaro com o apoio do primo, dizem integrantes da secretaria da Cultura. Crise na Cultura A área cultural do governo tem enfrentado problemas desde o início do mandato de Bolsonaro, mas o agravamento da crise veio após a divulgação de um vídeo institucional do então secretário Roberto Alvim, que usou referências nazistas semelhantes ao ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels. Com a repercussão negativa, o presidente Jair Bolsonaro acabou exonerando Alvim e, dias depois, convidou a atriz Regina Duarte para assumir a secretaria.

Como informou o G1, Regina assume o cargo depois do carnaval. Ancine Vinculada ao Ministério do Turismo, a Ancine é uma agência reguladora que tem como atribuições o fomento, a regulação e a fiscalização do mercado do cinema e do audiovisual no Brasil. Além de Tutuca, Bolsonaro indicou para a Ancine a produtora Verônica Brendler, que também é ligada a movimentos religiosos.