Pesquisa traz também um alerta sobre os riscos para os idosos, após a flexibilização das medidas de isolamento com a reabertura do comércio e serviços Um novo do Instituto Federal do Sul de Minas, campus de Poços de Caldas, divulgado nesta quarta-feira (6), alerta para a possibilidade de subnotificação de casos de Covid-19 no Sul de Minas.

A pesquisa traz também um alerta sobre os riscos para os idosos, após a flexibilização das medidas de isolamento com a reabertura do comércio e serviços. Representantes do Grupo de Estudos em Planejamento Territorial e Ambiental (GEPLAN), do instituto, produziram mapas com dados divulgados pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COES Minas), pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, pelo Governo do Estado de São Paulo, além de informações do Portal da Transparência de Registro Civil, e da malha digital e do censo demográfico do IBGE.

Mapa comparativo: mortes por Covid-19 e por doenças respiratórias no Sul de Minas Reprodução / IF Sul de Minas O primeiro mapa compara o número de mortes por doenças respiratórias e o número de mortes por Covid-19 (mortes confirmadas e suspeitas) na região Sul/Sudoeste de Minas Gerais, no período entre 8 de Março e 3 de Maio de 2020.

Os dados referentes aos óbitos causados por doenças respiratórias por município foram coletados no Portal da Transparência de Registro de Óbitos.

O mapa mostra que o número de mortes causadas por doenças respiratórias é consideravelmente maior em relação ao número de mortes decorrentes de Covid-19.

De acordo com o Prof.

Dr.

Sérgio Henrique de Oliveira Teixeira, o elevado número de óbitos por doenças respiratórias pode ser um importante indício de subnotificação de casos de Covid-19 na região.

As cidades de Poços de Caldas, Pouso Alegre e Varginha, por exemplo, que são as três maiores do Sul de Minas, registram de 1 a 5 mortes pela Covid-19.

No entanto, possuem entre 35 e 64 mortes por doenças respiratórias.

“Diante do reconhecimento das autoridades científicas e do meio midiático sobre o alto índice de subnotificações de casos do novo coronavírus no Brasil, os números de óbitos por doenças respiratórias mostram-se bem elevados e motivo de alerta.

Tais mortes, cujo diagnóstico se deu por doenças respiratórias, pode possivelmente se tratar de mortes decorrentes pela COVID-19, mas que não foram devidamente reconhecidas como tal.

Assim, o mapa pode servir de evidência para o alto índice de subnotificação constatado no Brasil, fato presente devido a alguns fatores, dentre estes, a escassez de testes rápidos e a pequena realização destes sobre ampla população”, destacou o professor através da assessoria de comunicação do instituto. Segundo o professor, a subnotificação de casos de Covid-19 no Sul de Minas contribuiu para as medidas de flexibilização da quarentena e do isolamento social e para a abertura gradativa dos comércios pelas gestões estaduais e municipais.

Ele disse ainda que a análise do mapa será importante para a verificação do avanço de mortes por outras causas, devido à falta de atendimento hospitalar adequado, diante da ocupação de leitos por contaminados pela Covid-19.

O mapa mostra ainda que os municípios fronteiriços às principais rodovias que cortam o Sul/Sudoeste de Minas apresentam um maior número de mortes por doenças respiratórias.

São as situações de Pouso Alegre, Poços de Caldas, Itajubá, Varginha e São Sebastião do Paraíso.

A hipótese levantada pelo Grupo de Estudos é a de que as rodovias são os principais eixos de dispersão da Covid-19 na região. Idosos e o novo coronavírus Outro mapa produzido pelo instituto chama a atenção para a vulnerabilidade da população idosa do Sul Minas.

No estado mineiro, a região Sul é uma das que apresentam maior número de idosos, grupo considerado de risco para as complicações causadas pelo novo coronavírus. Casos de mortes confirmadas de Covid-19 e índice de envelhecimento em MG Divulgação / IF Sul de Minas O estudo sinaliza que o Triângulo Mineiro, a Região Metropolitana de Belo Horizonte e as porções Sul, Sudeste e Sudoeste de Minas apresentam os municípios com maior número de idosos.

"Os municípios destas mesmas regiões apresentam um maior registro de casos confirmadas por Covid-19, o que denota um agravamento da situação, já que são justamente as cidades com maior número de idosos, que fazem parte dos grupos mais sensíveis à letalidade da Covid-19”, disse o professor Dr.

Sérgio Teixeira. Diante do considerável número de casos de Covid-19 e do maior índice de envelhecimento no Sul de Minas, o professor acredita que sejam necessárias medidas públicas de atenção à população, principalmente nas cidades cortadas por rodovias, que seriam os principais eixos de disseminação da doença. Casos e mortes confirmadas de Covid-19 e índice de envelhecimento em MG Divulgação / IF Sul de Minas "Cidades às quais fazem fronteira com tais rodovias, e que apresentam um maior índice de envelhecimento são mais tendenciosas às maiores taxas de adoecimento da população, maiores demandas quanto ao sistema de saúde e mais propensas à letalidade do vírus, caso ocorra um agravamento da situação por conta das medidas de flexibilização do isolamento social (abertura de comércios, serviços e descontrole de circulação).

Assim, tais municípios merecem a devida atenção por parte dos órgãos gestores públicos, de modo a garantir a manutenção das medidas de enfrentamento à disseminação da Covid.

Sugere-se ainda, maior atenção à população idosa e instalação de pontos de controle de medição de temperatura nos eixos que ligam as principais cidades do Sul e Sudoeste de Minas aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Esta última medida contribuiria para impedir a dispersão da Covid-19 em Minas, provinda destes dois estados, resultando em menores incidências de casos”, afirmou o professor Sérgio. As rodovias e a Covid-19 Outros mapas propostos apontam que a expansão dos casos confirmados de Covid-19 no Sul e Sudoeste de Minas Gerais se dá seguindo as linhas de conexão dos principais eixos rodoviários.

Tais eixos são aqueles provenientes das cidades com maior número de casos confirmados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

O eixo de entrada pela Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte e passa pelo Sul de Minas, revela-se como o maior fluxo de dispersão para a região estudada, afetando os municípios que a margeiam, como pode ser observado no eixo de contaminação que atinge Extrema/MG, Toledo/MG e Cambuí/MG, chegando a Pouso Alegre/MG, que apresenta o maior número de contaminações no Sul de Minas. Casos e mortes confirmados de Covid-19 no Sul de Minas Divulgação / IF Sul de Minas Outro eixo relevante de contaminação proveniente do interior paulista é relacionado à BR 153 e BR-050, que ligam o estado de São Paulo ao Triângulo Mineiro.

O mapa indica que há grande concentração de casos nessa região de Minas Gerais, sobretudo nas cidades de Uberlândia/MG e Uberaba/MG.

Destaca-se que esse eixo de entrada recebe fluxos de cidades com grande contingente de contaminação do interior paulista, como Ribeirão Preto/SP e São José do Rio Preto/SP.

Todos esses municípios são interligados por rodovias e partidas rodoviárias diárias a municípios do Sul/Sudoeste de Minas. O eixo rodoviário proveniente do estado do Rio de Janeiro, que tem seus fluxos vindos da cidade do Rio de Janeiro com 6.750 casos de Covid-19, também impacta na região.

A evidência é posta por conta do nível de contaminação observado em Juiz de Fora/MG.

O município recebe os fluxos do Rio de Janeiro por meio da rodovia BR 040, que também oferece a ligação para Varginha/MG, cidade que apresenta um número considerável de contaminações. Veja mais notícias da região no G1 Sul de Minas