Sem salários de abril, motoristas entraram em greve nesta segunda-feira (11).

Consórcio diz que finanças estão em colapso após queda brusca no volume de passageiros diante da pandemia.

Pró-Urbano pede ajuda de R$ 4,5 milhões à Prefeitura de Ribeirão para manter ônibus O Consórcio Pró-Urbano, consórcio responsável pela operação dos ônibus em Ribeirão Preto (SP), afirma que é necessária uma ajuda de R$ 4,5 milhões da Prefeitura para manutenção do serviço. Nesta segunda-feira (11), passageiros foram surpreendidos pela paralisação dos motoristas, que alegam falta do pagamento do salário do mês de abril.

De acordo com o Sindicato dos Empregados em Empresas de Transporte Urbano e Suburbano de Passageiros (Seeturp), o prazo para o pagamento venceu no dia 7 de maio.

As empresas alegam dificuldades de caixa em razão da queda na arrecadação, resultado do baixo volume de passageiros transportados por causa da pandemia do novo coronavírus.

Em nota, a Empresa de Trânsito e Transporte Urbano (Transerp) informou que a frota foi recolhida em sua totalidade às garagens por volta das 17h25, e que não há previsão de retorno das linhas às ruas na terça-feira (12).

Ainda segundo a Transerp, o Consórcio Pró-Urbano foi notificado para que tome as providências necessárias a fim de retomar o serviço do transporte coletivo. Sem ônibus, terminal de embarque ficou vazio nesta segunda-feira (11) em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Sem transporte O Sindicato afirma que os funcionários já tinham sido afetados por medidas como redução de jornada de trabalho e de benefícios como vale-alimentação em função dos efeitos da pandemia, mas que não é justo que os empregados fiquem sem receber. Moradores que precisaram usar o transporte público tiveram que improvisar para chegar ao trabalho nesta segunda-feira.

Segundo a assistente de call center Josiane Oliveira, a pandemia causou reflexos em todos os setores, mas os ônibus não podem deixar de circular.

“Eu entendo que a pandemia trouxe prejuízo para muitos empresários, grandes e pequenos, mas tem pessoas que precisam trabalhar, precisam desse serviço, de utilizar o circular.” A assistente de call center Josiane Oliveira ficou sem ônibus em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV O porteiro Josias Maximiano reclama que as pessoas de baixa renda não têm recursos para bancar o transporte particular.

“A gente precisa de transporte, está sem dinheiro, sem emprego, precisando pegar o circular com o pouquinho de dinheiro que a gente tem.” O sindicato da categoria e as empresas negociam um acordo, mas ainda não há nenhum posicionamento sobre o fim da greve.

Reflexos Desde o início das medidas de restrição para aumentar o isolamento social em Ribeirão Preto, a frota passou a operar com 70% dos veículos, o que representa 204 do total de 341.

Por ser considerado serviço essencial, o transporte público não pode ser interrompido.

Dados da Transerp apontam que, em abril, o número de passageiros transportados foi de 986.246, contra 3.854.390 no mesmo período de 2019 – redução de 74,4%.

Segundo a empresa, a queda na receita foi de R$ 8 milhões.

Ônibus parados em terminais de Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Mas as empresas afirmam que a arrecadação chegou a R$ 3 milhões.

Uma planilha enviada pelo consórcio registra um déficit de 71,2% entre a previsão e o que de fato se arrecadou em abril. “O sistema entrou em colapso, gastando muito mais do que arrecada, operando com 70% da frota e com receita em torno dos 20% do que arrecadava anteriormente.

Com a quarentena estendida até o dia 31, o transporte não tem condições de continuar se não tiver alguma ação por parte da Administração Pública", informou o consórcio Pró-Urbano, em nota. De acordo com o advogado das empresas Paulo César Braga, em horários fora de pico, há linhas percorrendo até 15 quilômetros para transportar dois passageiros.

“Quando você estabelece uma relação contratual, há uma proporcionalidade entre a quantidade de veículos que você coloca em operação e o volume de passageiros transportado.

Se há uma queda violenta nesse volume de passageiros, o poder público precisa intervir e socorrer essa empresa que está prestando um serviço que é público, não é particular e não se sujeita às leis de mercado”, diz.

A Transerp não se manifestou sobre o pedido de ajuda financeira feito pelo consórcio.

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